Pietro Ubaldi & Nazarius

"S. Vicente, 21 de junho de 1959.

Nazarius,

É ótima a idéia de vir a S. Paulo em julho.

Poderei viajar a qualquer dia da semana, menos aos domingos. Chegarei às dez horas da manhã, de ônibus, que sai daqui às oito horas. Você me encontrará na estação da Viação Cometa que está na Av. Ipiranga, esquina com outra avenida (parece-me S. João). Se você chegar primeiro, fique esperando-me descer do ônibus. Quem chegar primeiro, espera o outro na sala de estar.

Escolha o dia e me avise, passando-me um telegrama que chegue a tempo, antes do dia 10, porque tomei compromissos entre 10 e 29 deste mês.

Almoçará comigo num restaurante e à tarde, mais ou menos às dezoito horas, tomarei, no mesmo lugar, outro ônibus de volta.

Acho que um dia basta para falarmos dos assuntos principais. Perto da estação do Cometa há jardins para sentar-mos durante o dia.

Não tenho telefone.

Desejo-lhe todo bem.

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

Os encontros eram ricos de conteúdo espiritual, porque além da presença do mestre pelas suas boas e saudáveis vibrações, havia também os ensinamentos transmitidos diretamente, através da palavra e do exemplo. Aqueles encontros diminuíram: doenças e palestras no rádio o impediam de viajar, além da idade (73 anos); e Nazarius, também, estava comprometido com o estudo universitário e o trabalho para o seu sustento.

Por isso, foi concordado o encontro de um dia em S. Paulo e aconteceu em 29 de julho de 1958.

Conversaram bastante. Aproveitaram bem o tempo e o mestre transmitiu ao seu discípulo os últimos acontecimentos, no jardim em frente à Estação da Luz.

Falou com entusiasmo sobre o livro que acabara de preparar na Páscoa daquele ano, A Lei de Deus – “Com palavras simples, explica o pensamento diretivo de Deus, a justiça e a sabedoria da Lei Divina”, palavras do Autor.

Revelou a Nazarius as idéias que lhe estavam chegando para o projeto em andamento: Queda e Salvação. Foi mais além, disse-lhe que o afastamento e o retorno a Deus podiam ser representados por dois triângulos isósceles iguais, com altura igual a base, que se cruzassem invertidos. Na base de cima o Sistema e na base de baixo o Anti-Sistema. A evolução acontece do Anti-Sistema para o Sistema e a involução é o contrário. Através de equações matemáticas, o livro mostra o atual estágio evolutivo do biótipo humano atual e o nosso retorno a Deus.

 

"S. Vicente, 12 de dezembro de 1962.

Nazarius,

Respondo, logo que chegou, à sua carta de 7 deste mês. Agradeço pelo cheque. Esta é a melhor forma, porque posso recebê-lo em S. Vicente, sem Ter que ir a Santos. Levaria meio dia para isso.

O Cônsul apareceu aqui no mês passado e voltará por duas semanas no Natal. Tenciona mudar-se para cá, definitivamente no ano que vem, e abandonar o consulado. Agora está arrumando em Montevidéu a sua despedida. Depois será mais fácil você encontrar-se com ele.

Obrigado pela sua vontade em ajudar a Obra. Veremos o que será possível fazer. Eu vivo imobilizado, cumprindo o meu dever para com a família.

Depois do apelo, chegou aqui um editor do Rio, com propostas inaceitáveis.

Continuo escrevendo, o que posso fazer bem, ficando em casa, perto de minha mulher. O livro atual se desenvolve tanto, que será volumoso ou dividi-lo-ei em dois volumes.

O assunto destes últimos capítulos é a psicanálise, mas que abrange, também, as vidas precedentes. Assunto imenso, que vai muito bem. Trata-se de estudar a estrutura e o método de construção da personalidade, o problema do destino, a origem e tratamento dos complexos e neuroses, lendo a história das vidas do indivíduo impressa no subconsciente, etc. Estes problemas posso resolvê-los, porque já foram resolvidos os mais gerais da estrutura e funcionamento do universo. Quanto mais envelheço, tanto mais o pensamento ganha profundeza.

Em S. Paulo, estão fazendo um curso sobre O Sistema.

Então, voltará para a sua cidade! Adeus ao Rio.

Os que restaram, mais fiéis, são os amigos de sua cidade. Quem sabe se a tarefa de salvar a Obra não volte a eles, que iniciaram tudo, e aos quais ela por isso mais lhes pertence?

Esperamos você aqui, com saudade, logo que puder. Fará as refeições conosco. Sempre nos encontrará. Não posso afastar-me. Traga a sua mulher.

Votos de felicidade para o Natal e Ano Novo, a você e a todos os seus.

Um grande abraço agradecido e até breve. Envie-me o seu novo endereço.

 

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

“Como resultado da campanha, os que restaram mais fiéis são os amigos de sua cidade. Quem sabe se a tarefa de salvar a Obra não volte a eles, que iniciaram tudo, e aos quais ela, por isso, mais lhes pertence?”

Está ai mais uma profecia que se cumpriu. Foi anunciada em 1962 e se cumpriu em 1980.

Com a morte de Agnese, em 1975, Dr. Emygdio (o Cônsul) adquiriu o Grupo Editorial Monismo Ltda, o estoque de livros existentes, os Direitos Autorais por 15 anos e o acervo Pietro Ubaldi. Por falta de recursos não conseguiu publicar livro algum. Na primavera de 1979, Nazarius escreveu ao Cônsul sugerindo uma Fundação para angariar fundos e começar a publicação dos livros. Dr. Emygdio achou a idéia excelente, mas transferiu a Nazarius a criação da Entidade. Após troca de correspondência foi instituída a Fundação Pietro Ubaldi (FUNDÁPU) em 28 de fevereiro de 1980, pelo casal Nazarius e esposa. Em setembro daquele ano houve a primeira reunião em Belo Horizonte com representantes de várias cidades do Brasil. O anfitrião foi Dr. Maurício Róscoe, um engenheiro desprendido e que se dedicou à divulgação da Obra, desde aqueles primeiros momentos até nossos dias, distribuindo, gratuitamente, A Grande Síntese e fazendo conferências. Em 1981, no “XVI Encontro em Brasília”, foi lançado o primeiro livro publicado pela FUNDÁPU, As Noúres (Técnica e Recepção das Correntes de Pensamento). Os direitos Autorais foram cedidos, gratuitamente, por Dr. Emygdio, até 1990, prazo limite.

Em 1991, a Fraternidade Francisco de Assis, conti-nuadora da FUNDÁPU, adquiriu os Direitos Autorais de 50% da Obra, em todos os idiomas, do casal Maria Antonieta e Fernando Fancelli. Maria Antonieta e Vasco Ferraz Júnior cederam, gratuitamente, os outros 50%, à mesma Entidade. O acervo, Dr. Mamuel Emygdio da Silva doou, por Escritura Pública, à fraternidade Francisco de Assis. Ele se encontra no “Memorial Pietro Ubaldi”, construído pela Fraternidades e outros colaboradores, no “Monte Alverne”, bela chácara de Ariston Santana Teles, DF 7 km3, entre Brasília e Sobradinho.

Quem, em 1962, poderia saber que tudo isso iria realizar-se? Nem mesmo o Professor, que escreveu aquela profecia porque a intuição lho ditava. Alguém tinha conhecimento disso, certamente o Cristo. Assim os acontecimentos foram se processando normalmente, até que a Lei se cumprisse e com ela a profecia.

***

Ariston é um médium psicógrafo, com muitos livros publicados, conferencista no Brasil e no exterior; tem uma excelente folha de serviço em favor da Obra e realizou o I Congresso Pietro Ubaldi em Brasília, em 17, 18 e 19 de maio de 1996.

 

"S. Vicente, 16 de janeiro de 1962.

Nazarius,

Tenho duas cartas suas, estou lhe respondendo. Desculpe-me o atraso.

Os cupins devoraram meu armário na parede, tive que tirar tudo o que era madeira e salvar os livros – um mês de trabalho. Estive também doente. Agora, estou forte bastante, mas a luta esgota, sempre trabalhando.

Recebi os convites dos bacharelandos e li o seu nome. Meus grandes parabéns e votos de felicidade para você e sua esposa. Estou bem contente em ver que está recebendo o prêmio do seu trabalho. Para você foi grande esforço sair da horta para chegar à cadeira de professor. Entendo que está feliz pelo esforço e pela recompensa. Tudo calculado, medido e recompensado. Ótimo. Apóio. Conseguiu realizar o que desejava. É muito raro no mundo.

Pretendi realizar muito mais, demais, isto é, fazer o bem a todos, o que é difícil, por isto não realizei o que queria.

Tanto esforço, o seu para mim é quase nada, o meu dura cinquenta anos. O mundo quer outra coisa, não há senão mentira e egoísmo. Quem segue os ideais acaba crucificado.

Esta inflação, devido a uma economia de roubo que domina este país, destruirá tudo. Se continuar assim, você receberá um dia ordenado de moeda igual a zero. Sobreviverão alguns espertalhões. Por isto, torna-se sempre mais difícil continuar imprimindo meus livros. A falência deste país não é por culpa do povo, mas dos governantes.

O Cônsul está trabalhando para divulgar a Obra no estrangeiro. Lançou uma campanha para salvar a Obra, em toda a América Latina. Mas não se preocupe em ajudar, esta não é sua tarefa. Acho, também, que Campos é uma cidade pobre para fazer alguma coisa. Além disso, todos estão sempre mais apertados. A caridade pública já foi bastante explorada por vendedores de vento.

Com as doenças caímos no poço dos médicos especializados no negócio de estrangular o próximo para salvar seus doentes. Remédio a nunca acabar, um conto ou mais cada vidrinho, consultas de quatro a cinco contos, análise de laboratório igual, assim por diante. Só lhe falo isto como notícias. Não se preocupe com os recursos, eles chegarão. O problema é conseguir sobreviver!

Esperamos você aqui, quando puder vir, em janeiro ou fevereiro. Basta avisar-me que o esperarei. Não me ausento, nem viajo. Seremos felizes em reabraçá-lo.

Desejo-lhe feliz Ano Novo e sempre novas conquistas.

Continuo escrevendo e o Cônsul traduzindo para o espanhol.

Na sua carta, você me perguntou se “o cheque chegou bem.”. Perguntei a Kokoska para saber e me respondeu que está tudo pago.

Saudades e abraços até a sua vinda.

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

Naquela época a primeira formatura era de bacharel, que dava condições de trabalhar no campo da pesquisa. Com mais um ano de sociologia, psicologia, didática e outras cadeiras correlatas, completava o curso de licenciado na disciplina escolhida, com direito a mais duas afins. A licenciatura em Física, dava direito a lecionar, também, Matemática e Ciência. Então, Nazarius fez mais um ano para ter direito à licenciatura plena.

A experiência na Universidade foi marcante – bons colegas e ótimos professores. Muita aprendizagem no campo da ciência e da cultura em geral. Nazarius ainda se recorda, com imensa gratidão, daquelas boas aulas, na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da Universidade do Estado da Guanabara (hoje UERJ).

Mesmo que Nazarius tivesse assimilado o conteúdo da Obra, com relativa facilidade, desde os primeiros contatos com ela, na Escola Jesus Cristo, e mais profundamente com o mestre, o curso superior lhe proporcionou uma visão ainda mais ampla. A ciência facilitou muito a compreensão dos assuntos ligados à Física, Matemática, Química e Biologia contidos na Obra. A recíproca também lhe foi verdadeira. O conhecimento que tinha da Obra retirou os limites, geralmente impostos pela ciência. Assim, a visão que tem da ciência, como um todo, não é apenas a acadêmica, vai muito além. Logo no início do magistério, o Diretor da Escola Técnica Federal de Campos, chamou-o ao gabinete e lhe perguntou: como seria possível conciliar a Física com a Religião? É fácil, respondeu-lhe, a Física, como a ciência dos fenômenos naturais, estuda, demonstra e justifica as leis do universo físico, leis criadas por Deus; logo, não é possível separar a Física de Deus, por extensão nem a ciência. Como exemplo, aqui está um pensamento atribuído ao maior gênio da Física, neste século, Albert Einstein: “A Ciência sem a Religião é paralítica, mas a Religião sem a Ciência é cega.” Assim, a ciência facilitou a compreensão da Obra e o conhecimento desta ampliou a visão daquela. O curso de Física foi adequado ao papel de Nazarius na Obra. Coincidência, ou a vontade da Lei prevaleceu?

A Obra de Pietro Ubaldi proporciona ao leitor, além de uma vivência evangélica, um sólido conhecimento no campo religioso (religião não sectária), no campo filosófico (em sentido mais amplo) e no campo científico (ciência não agnóstica). Ela é imparcial e universal.

Pietro Ubaldi fez o curso universitário com extrema facilidade, concomitantemente completou o estudo de música e se fez poliglota. Isso não lhe custou muito esforço, é um espírito evoluído e tinha outro objetivo maior: “Pretendia realizar muito mais, demais, isto é, fazer o bem a todos, o que é difícil, por isto não realizei o que queria.” Em seu A Nova Civilização do Terceiro Milênio, concluído na Páscoa de 1945, já dizia: “Levo apenas uma mágoa: eu poderia ter feito mais e não fiz; não pude porque tive que despender as maiores energias de minha vida na luta pela vida, luta imposta a todos neste inferno terrestre, luta impiedosa ao lado do involuído.”

Ele, que considerava a “perda de tempo um crime de lesa evolução” e assim viveu, repetiu em 1962 o que havia dito dezessete anos antes. Que dizemos nós, comparando o bem que fazemos com o dele? Esta é a diferença existente entre dois planos evolutivos.

 

"S. Vicente, 19 de junho de 1958.

Nazarius,

Como vê, tomei nota da nova residência. Parabéns, pelo casamento.

O atual trabalho ainda não terminou. Estou pensando como resolver o caso da viagem em julho. Você acha que tem oportunidade de vir a S. Paulo? Se assim for, aí poderemos encontrar-nos, por um dia, para trocar idéias. Você almoçaria comigo e à noite eu retornaria. Basta avisar-me onde encontrá-lo, eu chegaria pela manhã. O que acha?

Viajar até o Rio, um dia de ida e outro de volta, se possível, desejaria poupar-me. Vamos ver se poderemos encontrar-nos desta maneira. As forças estão diminuindo, também a vontade de viajar. Aproxima-se sempre mais a hora da libertação final.

Tive uma forte gripe que deu origem a açúcar no sangue, albumina na urina, complicações pulmonares etc. Vai durar bastante, antes de ficar curada. Estou de cama. Mas vai melhorar e escrevo ainda com febre.

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

Nazarius mudou-se novamente de endereço. Desta vez porque se casou com Arléa em 24 de maio de 1958. Uma jovem e velha amiga do passado e de muitos anos na Escola Jesus Cristo. Foi um acontecimento simples e planejado pelo alto. Só foram convidados familiares e amigos mais próximos de sua cidade. O casal foi morar na Rua do Catete, 92 – casa 30 – Rio de Janeiro (RJ). Era um quarto, banheiro e cozinha, dentro de uma casa de família. Residiram ali até retornarem a Campos.

Pietro Ubaldi não deixava de escrever porque estava gripado, mesmo com febre, é o que nos mostra a carta acima e o “Prefácio” de seu Deus e Universo, escrito em Gúbio (Itália), no final do inverso de 1951:

“Numa grande reviravolta da minha vida e da vida do mundo, nasceu este livro, subitamente, como uma explosão. Foi escrito em vinte noites, pouco antes da Páscoa de 1951, aproveitando-me de uma bronquite que me forçava ao repouso, furtando-me ao trabalho diurno normal, necessário para a manutenção de minha família, escrevi-o sob intensa febre, que facilitava a elevação do potencial nervoso, na solidão gelada de Gúbio. Como aqui está registrada, a visão me apareceu em vinte etapas ou capítulos, nos imensos silêncios daquelas longas noites hibernais.

Qual explosão de pensamentos e de paixão, este livro não poderia revelar-se a não ser à aproximação da Semana da Páscoa, após um longo e íntimo tormento preparatório. Sob a exposição fria e racional, que pretendeu, sobretudo, ser fiel às visões, oculta-se e arde essa paixão, a ânsia do inexplorado, o terror de debruçar-se sozinho sobre os abismos dos maiores mistérios, a imensa festa da alma pelo conhecimento obtido. No esforço aqui dispendido para galgar os últimos cimos, como coroamento da Obra, há como que uma vertiginosa desesperação da alma, que se sente perdida e desfeita diante do lampejo de uma concepção que não é sua, que dardeja sobre ela, ofuscando-a e arrebatando-a para os vértices do pensamento, onde tudo se faz uno, e para os vértices das sensações, onde alegria e dor se unificam num mesmo espasmo de êxtase.”

Pietro Ubaldi considerava o TEMPO um dom de Deus, procurando aproveitá-lo ao máximo; mesmo acamado cuidava da correspondência e escrevia livros. O que aconteceu com Deus e Universo, estava acontecendo com Evolução e Evangelho. Tinha um espírito forte que dominava, completamente, seu corpo. É bom não exagerarmos, na velhice a resistência não é a mesma, nem num período gripal poderia escrever um livro.

Deus e Universo é o livro de mais profunda revelação, depois de A Grande Síntese e Grandes Mensagens, na opinião do próprio Autor: “A Grande Síntese encara o universo em função do homem e Deus e Universo, numa concepção ainda mais vasta, encara o universo em função de Deus.”

 

"S. Vicente, 24 de fevereiro de 1958.

Nazarius,

Compreendo bem como você esteja agora atarefado para seus exames. Faço votos de alcançar sucesso.

Chegou a sua última carta.

Não se preocupe em escrever-me. Concentre todas as suas energias no seu trabalho. Orarei a Deus para que o ajude. Estudar com este calor, é difícil.

Aqui tudo no mesmo. Sempre correndo e trabalhando, sem férias.

Estou satisfeito em saber que tudo está correndo bem com você.

Para eu poder viajar, é preciso esperar até junho, quando vão acabar meus compromissos. Avisarei logo que estiver livre.

Também estou com saudade, parece-me que são dois anos, que não o encontro. Se não forem dois anos, é pouco menos.

Aqui existe uma porção de novidades que não conhece! Combinaremos o encontro logo que me for possível para saber de todas elas.

A saúde vai meio a meio, às vezes bem, às vezes mal. Porém o trabalho não pode parar por isto. Sempre o dever, até o fim.

Continuemos aceitando tudo das mãos de Deus, cada um pelo seu caminho.

Agora, você entrará em seu novo caminho, novos horizontes, até que se tornará um poço de sabedoria.

Eu fico sempre o mesmo: 3/4 do tempo triste e esgotado,1/4 alegre com um pouco de forças, mas sempre trabalhando os 4/4 do tempo.

Continuo orando a Deus que nos ajude a todos.

Abraços e votos de felicidades que lhe desejo de todo coração.

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

O mestre acompanhava, espiritualmente, de perto, a vida do discípulo, daí a sua recomendação para estudar muito. É necessário, neste momento conhecer um pouco a vida de Nazarius até a sua entrada na Faculdade de Filosofia.

Fez o primário, dos 8 aos 13 anos, no interior. Devido à pobreza de seus pais, estudava na escola a metade do dia e a outra metade trabalhava na horta com eles. Os deveres eram feitos à noite. Não conheceu a infância tão comum, com tempo para estudar e brincar. Não era um superdotado.

Quando seus pais se mudaram para a chácara, em 1942, a três quilômetros da cidade, havia terminado o primário e já contava 13 primaveras. Levou quatro anos fora da escola, apenas trabalhando para ajudar a família a pagar a chácara, que fora comprada a prestação. Vida difícil, com muito trabalho e espírito de retidão.

Em 1947 se preparou para o ginásio ( naquela época se exigia exame de admissão), porque as finanças deles haviam melhorado, com a ajuda também de seus irmãos.

Em 1948 entrou no ginásio (Colégio Batista Flumi-nense) e ao mesmo tempo começou a frequentar a Escola Jesus Cristo, fundada por Clóvis Tavares. Sempre trabalhando durante o dia e estudando à noite. No ginásio estudava as matérias apenas para passar de ano, enquanto procurava conhecer a religião, orientado por Clóvis Tavares. Em 1949, a filosofia de Pietro Ubaldi se tornou conhecida na Escola Jesus Cristo, divulgada pelo seu fundador. No Natal daquele ano Clóvis fundou a Associação dos Amigos de Pietro Ubaldi. Nazarius foi um dos seus diretores, a convite do próprio Clóvis. O pensamento de Pietro Ubaldi penetrou em seu íntimo como o espírito em seu corpo, ao nascer neste mundo. Era uma verdade assimilada com toda avidez. Tornou-se datilógrafo de todas as traduções e da biografia do mestre feitas por Clóvis. A máquina, depois de ser útil à Obra por meio século e usada pelo Professor, em Grussaí, encontra-se no museu Pietro Ubaldi, em Campos (RJ).

Em 1952 se preparou para fazer o científico no Liceu de Humanidades de Campos, onde um ano depois ingressou, ao mesmo tempo em que começava a profunda amizade com Pietro Ubaldi. Paralelamente, a cultura acadêmica crescia com a cultura religiosa, as duas andando em perfeita sintonia, ascendendo a planos mais altos.

A pobreza de seus pais e de seus irmãos, não permitia a Nazarius fazer um curso universitário tranquilo, faltar-lhe-iam os recursos necessários. Levou dois anos fazendo o pré-vestibular à noite e se estruturando financeiramente, através do trabalho, para enfrentar o curso de Física que pretendia realizar na Universidade. Uma ajuda financeira importante recebeu da Prefeitura Municipal de Campos, foi uma bolsa de estudo durante um ano, conseguida pelo pastor Rafael Zambroti, que era secretário do Prefeito Barcelos Martins. Pietro Ubaldi o acompanhou de perto, como o leitor acabou de observar na missiva acima e em outras que a precederam. Em 1958, Nazarius era um universitário, começava o curso de Física almejado, tendo cursado uma outra universidade, a do espírito, com o Professor.

Aplicando a teoria do mestre: quando se conhece3/4 de um fenômeno, pode-se prever o seu final; era fácil concluir que a tendência do fenômeno continuaria com o mais amplo crescimento cultural e religioso.

Esta é a história de Nazarius, resumidamente, até a entrada na universidade. O aluno não decepcionou o seu mestre, que investiu naquele menino pobre, tornando-o seu discípulo, quando tinha apenas o curso ginasial.

 




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