Pietro Ubaldi & Nazarius

"S. Vicente, 2 de junho de 1955.

Nazarius,

Respondo a sua carta de 18 de maio.

Não há dúvida, precisamos encontrar-nos para trocar idéias e planejar o futuro. Dentro de poucos dias nos mudaremos. Já levei algumas malas.

No dia 1º de julho viajarei para o Sul e voltarei no dia 7. O encerramento será dia 5, mas só tem passagem para o dia 7. Você poderá chegar a partir deste dia. Para eu viajar a Campos é bem mais difícil, tenho que completar a mudança e muito trabalho a fazer, quando retornar da viagem do Sul. Chegando 7 ou 8, está ótimo e poderá ficar até o dia 20 ou mais.

Você viajar de trem para o Rio e de ônibus para S. Paulo tem um custo bem menor do que eu de avião, por tão poucos dias. Espero que no mês de agosto ou de setembro tenha condições de fazer essa viagem a Campos. Os Cr$ 1.650,00 que me mandou para as passagens estão aqui separados em um envelope. Agora, estou tranquilo, porque o problema do apartamento está, praticamente, resolvido, só depende dos acertos finais para eu poder ausentar-me por um mês. Minha grande luta vai, pouco a pouco, acabando.

Nomi me escreveu agradecendo os Cr$ 100,00 que recebeu, peço a você dar-lhe mais Cr$ 100,00 no mês de julho antes de sair. Quando chegar lhe pagarei tudo.

Comprei o Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa, de Lima e Barreto, porque agora escrevo os livros em português.

Escreveu-me que uma tempestade desabou sobre você. Cristo o salvou? Não me falou nada para eu não ficar triste? Assim vai experimentando o sabor das infinitas maldades humanas. Há gente ruim em toda parte. Fizeram com você, como fizeram com o Clóvis? Oro a Deus para o seu bem e que o ajude sempre. Sai daí em julho e vem descansar aqui, comigo. Você se preocupa muito com a minha paz, é bom preocupar-se, também, com a sua, afastando-se dos falsos amigos. Quase ninguém, em todas as religiões, acredita, verdadeiramente em Deus. Ele é vivo e está presente, perto de nós, e trabalha para defender-nos, quando merecemos.

Deus o recompense e abençoe,

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

O que parecia impossível aconteceu. Numa certa manhã de maio daquele ano, Nazarius foi chamado por um amigo distante, a quem tinha alta estima e confiança, para uma conversa reservada. Sua maior surpresa: a longa conversa (duas horas) foi para persuadi-lo a não visitar mais o Prof. Pietro Ubaldi. Nenhuma explicação lógica, nenhuma justificativa para aquele tresloucado gesto, apenas ele se dizia decepcionado (era muito personalista) com o Autor de A Grande Síntese; para justificar sua decepção citou nomes de outros companheiros de seu grupo, certamente influenciados por ele. Por isto, chamou-o para mostrar sua posição contra o Professor. Não sabia do elevado grau de confiança entre o discípulo e o mestre, nem procurou saber, apenas queria impor suas idéias. É o que acontece com muitos que se posicionam contra a Obra sem conhecê-la. Nazarius ainda muito jovem, e por respeito, ouviu, não argumentou e na saída lhe respondeu: “Se o Sr. tiver razão, voltarei para dar-lhe os parabéns, caso contrário, nunca mais tocarei no assunto”. Não é preciso dizer que o diálogo jamais se repetiu. Alguns anos depois, quando o amigo atravessava uma grande crise moral, aquele menino, já adulto, tentou ajudá-lo com algumas revelações íntimas de seu mestre, que lhe foram utilíssimas; ele ficou estarrecido e compreendeu por que Pietro Ubaldi fala tanto em dor. Viu que sua dor era desprezível em relação a do Professor.

Nunca foram revelados a Pietro Ubaldi os fatos aqui narrados, todavia, com a sua poderosa intuição, ele captou que algo de errado havia acontecido com Nazarius e lhe escreveu o último parágrafo na missiva acima, que foi para o seu discípulo uma orientação segura. Chegou a hora do testemunho: “Assim vai experimentando o sabor das infinitas maldades humanas.”

O amigo e o Professor Ubaldi viviam o Evangelho, cada um em seu nível evolutivo. O Evangelho do primeiro era de fora para dentro e o do segundo o contrário. Essa diferença só foi percebida muito mais tarde por aquele jovem inexperiente. O mestre era uma fortaleza espiritual pronta a resistir a qualquer embate da vida, tinha a fé edificada sobre a rocha. O discípulo estava dando os primeiros passos ainda trôpegos, necessitava e continua precisando de escoras para permanecer em pé. Por isto, toda amizade espiritual deve ser conservada e cultivada, jamais destruída, a fim de que a alma se fortaleça, edificando sua casa, também, sobre a rocha.

 

"S. Vicente, 17 de maio de 1955.

Nazarius,

Recebi sua carta e lhe respondo imediatamente.

Na carta anterior, vi que você estava muito preocupado. Depois compreendi que ao iniciar o ano letivo, levou um susto com tantas matérias. Logo que obteve boas notas, está mais tranquilo, menos preocupado. Passar de ano é importante. As minhas preocupações são diferentes. Cristo ajudará a todos nós.

Aqui aconteceram tantas coisas, depois de sua saída, mas a luta é sempre a mesma. Sempre muitas visitas e movimento, ainda não consegui escrever nada.

Chegou outro consolo: Deus me enviou um presente, através de um bom amigo, um bonito rádio com um toca-discos, assim posso ouvir música de um aparelho novo. É uma companhia que me faltava.

Ainda não foi possível mudar de apartamento, só mudaremos quando o outro estiver arrumado. Antes não poderei viajar.

O ano passado foi terrível para mim, mas agora tudo vai melhorando sempre, pouco a pouco.

A ação que o dono do apartamento moveu contra nós foi vencida. O juiz reconheceu nosso direito de ficar aqui, assim está claro que não estávamos aproveitando de nada, como falava o autor da ação.

O nosso grupo está crescendo sempre mais.

Estou escrevendo livros, diretamente em português. Não é um milagre?

Os primeiros “amigos”, que você conhece, estão quase todos afastados. Você fala que está ao meu lado, ombro a ombro. Isto é uma grande satisfação para mim, mas é uma formiginha boazinha e honesta, porém não pode participar desta luta gigantesca. Não quero ver você entrar neste terreno de inferno, mentiras e traições. Deus proteja a sua paz. Antes de tudo deve formar-se. Verá em mim um exemplo de trabalho duro e sério, de virtudes positivas que constróem. Tenho, também, o dever de ajudá-lo em sua educação.

Cresceu numa cidade afastada, de gente simples e não conhece a luta feroz que se pratica alhures.

Para chegar à implantação do reino de Deus, precisa descer e trabalhar neste inferno.

Lembranças de todos daqui.

Deus o ajude sempre. Abraços.

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

Pietro Ubaldi, em Roma, enquanto fazia o ginásio, iniciou seus estudos de piano, terminando-o quando fazia o curso universitário.

Clóvis Tavares, seu primeiro biógrafo, revela-nos: “Amante da música pura, desde os dias de ginásio até a Universidade, vai executando ao piano os prelúdios e os noturnos de Chopin, os dramas musicais de Wagner, as sonatas e as sinfonias de Beethoven, os poemas sinfônicos e as rapsódias de Lizt, as missas e cantatas de Mozart, e os “lieder” de Schubert, os prelúdios e as fugas de Bach...”

Em seu livro As Noúres, como preparação do ambiente para escrever, diz o próprio Autor: “Uso a música como outro meio inicial de sintonização de ambiente, a fim de que ajude a saltar da harmonização nesse primeiro plano sensório exterior para a minha harmonização nos mais altos planos supersensórios; essa música obtenho através do rádio e do radiofonógrafo, especialmente a melhor música: Wagner, Beethoven, Bach, Chopin e outros.”

Para Ubaldi, como para todo sensitivo, a música ajuda a percepção das mensagens de planos mais altos e lhe proporciona tranquilidade, verdadeira paz de espírito. Sem esta, a plenitude da missão fica mais difícil de ser alcançada. Diz ele: “Um dos momentos de minha vida é a convivência no torturante estrépito psíquico humano, que só a insensibilidade dos involuídos pode suportar.” A música que contém a inspiração divina suaviza este estado de alma. “Utilizo a música como primeiro degrau no caminho do bem e da ascensão do espírito.”

O presente do amigo chegou no momento certo, quando os problemas materiais o atormentavam. É a Lei em ação, porque o velho toca-discos estava funcionando mal.

 

"S. Vicente, 2 de abril de 1955.

Nazarius,

Quero apresentar-lhe uma conclusão que pode servir para o seu futuro.

1. Você deve fazer todo esforço para atingir a sua formatura na Faculdade.

2. Acho perigoso você sair de sua terra, de ovelhas mansas, e mudar-se para S. Paulo.

3. Só quero uma coisa de você, que alcance sucesso e consiga sua formatura.

O verdadeiro amigo deve dar e não pedir, deve pensar no amigo, antes que em si mesmo. Em primeiro lugar os estudos.

Você tem razão, quando fala de viver o Evangelho. Mas o Evangelho não se vive só pregando e rezando, mas sobretudo ajudando o próximo. Muitas vezes, pregando e rezando se agride o semelhante. Este é o caminho que muitos seguem para satisfazer o instinto fundamental da fera humana que é o de agredir e esmagar os outros. Existe o Evangelho formal dos Fariseus e o substancial do Cristo.

Você tem uma missão a cumprir junto de mim, verdadeiramente evangélica, uma grande missão que Deus lhe confiou. Você é o amigo que achei sob medida, compreende-me e tem um coração cheio de bondade para comigo. Sinto-me tranquilo junto de você e lhe confio todos os meus segredos.

Você está ficando mais maduro. Não procure crescer demais. Cada um na vida precisa ficar satisfeito por ter feito um pedaço do caminho, conforme seu ponto de partida. Aparecer junto de mim, somente para satisfazer seu orgulho, não é aconselhável, é perigoso para você e muita responsabilidade para mim. A sua tarefa é a de ficar perto, mas na sombra, para isso foi escolhido e chamado por Deus.

Estamos todos igualmente lutando nesta terra de provas e sofrimentos. Que nosso Evangelho seja o de nos ajudar sempre, uns aos outros, sem julgar, nem condenar. Que a nossa religião seja a da bondade, do Amor, da piedade e não da perseguição e condenação, nem mesmo em nome de Deus.

Deus o abençoe.

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

As preocupações do mestre para com o discípulo foram impressionantes. O futuro que Nazarius não enxergava, Pietro Ubaldi o via com toda clareza. Como por exemplo: continuar seu amigo mais íntimo, no anonimato, aprendendo o máximo para ser aplicado no futuro; formar-se, porque ali estava o seu porvir; ser um dos escolhidos para trabalhar na divulgação da Obra etc. Tudo isso aconteceu, antes e depois de sua morte. O discípulo seguiu, sem discutir, as instruções recebidas do mestre.

Ao preocupar-se com a faculdade e o local onde o jovem discípulo deveria estudar, o mestre contemplou o seu futuro intelectual e a sua tarefa junto dele: “Você tem uma missão a cumprir junto de mim, verdadeiramente evangélica, uma grande missão que Deus lhe confiou.”

Quanto à formatura, aconteceu como fora previsto e planejado. Em relação à tarefa a desempenhar-se em 1966, Nazarius iniciou a divulgação da Obra com um pequeno boletim, Avancemos, e a partir de 1980, assumiu a publicação de todos os livros, juntamente com muitos outros amigos de Pietro Ubaldi. Em seis anos toda a Obra estava publicada, com reedições de alguns títulos. Somente A Grande Síntese já alcançou a 22ª edição. Desde então, reconheceu a importância de seu papel na vida e na Obra do mestre. Foi mais uma profecia que se cumpriu integralmente. Naquele distante 1955, quem poderia saber de tudo isso?

Sobre a divulgação da Obra, hoje são muitos Nazarius espalhados pelo Brasil, na Itália, em Portugal e outros países, que atendem o convite divino para virem nela colaborar. Uns trabalham na sombra, outros, por necessidade, sobressaem-se projetando-a, porque a “luz é para ser colocada sobre o velador, para que todos da casa se iluminem.” É saudável, quando o orador utiliza conceitos da Obra e cita o seu Autor. Atualmente, no Brasil, são milhares de leitores da Obra; em qualquer discurso, seus conceitos são reconhecidos, pela singularidade de sua linguagem e de seu conteúdo.

 

"S. Vicente, 18 de abril de 1955.

Nazarius,

Recebi as duas cartas últimas.

Vejo que você tem muito trabalho, a escola agora é difícil e precisa trabalhar muito mais.

Os dentes foram curados. Tudo bem.

Minha luta continua, são duas horas da madrugada e ainda estou escrevendo. O meu horário é diferente. Tudo está como você deixou.

No dia 4 deste mês, aconteceu uma coisa bonita: era uma hora da madrugada, você talvez estivesse dormindo, quando percebi uma voz que me falava: “pai, eu estou perto do Sr., fique tranquilo.” Percebi que era sua alma perto da minha. A grande ligação espiritual entre duas almas afins tem uma força incrível.

Eu acabava de escrever esta carta, quando chegou mais uma de você. Assim estamos sempre juntos e o que mais une é a luta pelo bem e pelo ideal. Cristo tinha razão, quando me disse que podia confiar em você, porque era um bom amigo.

Compreendo que é um grande pulo, subir da horta até uma cadeira na universidade, mas Deus vai ajudá-lo.

Boa Páscoa.

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

Leitor amigo, o grau de amizade e de confiança recíproca entre Frei Leão e S. Francisco de Assis, só pode ser avaliado em toda a sua plenitude, quando mergulhamos na vida do Santo de Assis, lendo algumas de suas biografias. Todavia, podemos imaginar algo de sublime, quando lemos a primeira página do capítulo “S. Francisco no Monte Alverne (2ª parte)”, de A Nova Civilização do Terceiro Milênio:

“Quem já subiu até o alto do Monte Alverne em Casentino e visitou a Capela dos Estigmas, terá lido a inscrição central: “Signati, Domini, hic servum Tuum Franciscum, Signis Redemptionis nostrae” (“Assinalai, Senhor, este teu servo Francisco, com os sinais de nossa redenção”). Esse é o lugar em que Cristo apareceu a Francisco e este recebeu os estigmas. Para baixo, a rocha abre-se num abismo; subindo em direção do pico e da floresta, encontra-se logo a gruta de Frei Leão, o único companheiro do Santo, o único ser humano que, embora contrariando proibição expressa, aproximou-se dele e o observou naquele instante supremo. Por isso, entre tantos frades, é escolhido para curar as chagas dos estigmas. O grande acontecimento deu-se em 1224, na madrugada de 14 de setembro, festa da exaltação da Cruz. Em 30 de setembro Francisco deixou o Alverne para sempre. Acompanhado de Frei Leão, “carneirinho de Deus”, desceu montado num burrinho até S. Sepulcro, onde parou num leprosário e por esse caminho voltou para Porciúncula, onde morreu dois anos depois, em 4 de outubro de 1226 (“De Cristo recebeu o último selo, que seus membros carregaram durante dois anos”). Frei Leão, que celebrou a missa, foi amigo e confessor de Francisco, confidente e testemunha de numerosos acontecimentos espirituais íntimos, viu e tocou os estigmas, “costumava tirar os pensos de pano tintos de sangue para colocar novos”. Em 1224, na época destes acontecimentos, ele e o Santo ainda eram moços. Frei Leão teve, mais tarde, tempo de recordar e meditar, pois morreu Beato em Assis, 14 de novembro de 1271, isto é, 45 anos mais tarde. Foi no Alverne que o Santo escreveu para ele a Bênção, na segunda quinzena de setembro de 1224, logo depois de recebidos os estigmas. Escreveu-a com a mão trespassada e sangrenta:

(“Deus te abençoe e te guarde:

Mostre a ti Sua face e compadeça-se de ti

Incline para ti Seu rosto e te dê paz:

O Senhor te abençoe Frei Leão”).”

O capítulo é lindíssimo! Nele, tem-se a impressão de que os fatos aconteceram ontem, tal a força da linguagem e a riqueza de detalhes. É uma das provas mais contundentes de que Pietro Ubaldi foi Frei Leão. O que mais comprova a lei da reencarnação são os fenômenos. Aqui está um deles.

Guardando as devidas distâncias não só espaciais, mas qualitativas, proporcionalmente, Frei Leão está para S. Francisco de Assis, assim como Nazarius está para Pietro Ubaldi. Ambos (Frei Leão e Nazarius) receberam profundos ensinamentos de seus mestres e exerceram papéis preponderantes, respectivamente, a cada um deles. Se não existisse Frei Leão, certamente outro irmão assumiria o seu lugar na vida do Santo. Também Nazarius e outros amigos do mestre se tornaram os herdeiros espirituais da Obra, promovendo a sua divulgação através dos múltiplos meios de comunicação.

 

"S. Vicente, 18 de março de 1955.

Nazarius,

Peço-lhe agradecer a Norival pela sua carta, na qual me fala ter recebido a devolução do dinheiro. Diga-lhe que o abraçarei quando voltar a Campos.

Voltei, uma vez, a tomar sorvete, sentei-me no mesmo banco, perto do barbeiro, onde tantas vezes estivemos juntos.

Ainda não foi possível fazer mudanças, por causa do barulho existente dentro do apartamento, devido as obras que ali estão se realizando. Esperamos fazê-las o mais cedo possível.

Comecei o tratamento dentário.

A vida, agora, parece mais tranquila e posso trabalhar em paz.

O calor acabou e os banhos de mar terminaram. Arrumei o rádio pequeno e a pequena vitrola (toca-discos), que encontrei estragados. Agora tenho um pouco de música para fazer-me companhia.

Não reparou você mesmo, como ficou clara a vontade de Deus?

Pensei muito na sua mudança para a capital (S.Paulo). Você vai dar um grande mergulho num mundo infernal que ainda não conhece. É um anjo que cresceu na simplicidade e na bondade da Escola Jesus Cristo. Vai aparecer uma solução para cursar a Faculdade, quando terminar o Liceu.

A faculdade é muito mais difícil do que o liceu e não pode fracassar a sua formatura. O que acha? Eu me preocupo pelo seu futuro, como um pai com o seu filho.

Gostaria de ir a Campos, mas não posso viajar agora, porque não posso afastar-me daqui.

Lembranças de todos. Falamos de você, de vez em quando.

Um grande e saudoso abraço.

Pietro Ubaldi."

COMENTÁRIO

Nazarius aprendera com o mestre a observar a vontade de Deus nos acontecimentos. A harmonia é uma característica fundamental para que os fatos obedeçam à vontade da Lei. Ela começa quando traçamos o plano e o objetivo a atingir. Embora ainda jovem, tinha o espírito bastante maduro e experimentava caminhar em sua trajetória evolutiva com as próprias pernas. Conhecia o Evangelho teórico, pregado e pouco vivido, e o outro, prático e vivido intensamente, o do Prof. Pietro Ubaldi.

O seu amigo desaconselhava o curso universitário em São Paulo. Ninguém melhor do que ele para dar uma orientação segura; então, a vontade da lei era essa. Assim, faria o curso em outra cidade, mais próxima de Campos, e as portas seriam abertas em algum lugar, porque o plano estava elaborado e o curso escolhido: Professor de Física.

Outro aspecto positivo: continuaria residindo longe do mestre, cuja fama era internacional e muitos gostariam de estar ao seu lado, inclusive políticos em busca de votos, e outros para conhecer mais intimamente aquele personagem. Para todos eles, a presença de Nazarius, um jovem desconhecido do interior do Estado do Rio de Janeiro, incomodava, cansava, invejava.

Também Nazarius tinha um futuro pela frente que precisava ser burilado e buscava superar todos os obstáculos. Jamais poderia conhecer, naquela época, a importância de sua presença na Obra e o papel que desempenharia na sua divulgação, no futuro.

Norival foi aquele bom amigo que emprestou Cr$ 9.000,00 a Pietro Ubaldi, sem prazo para pagar, sem juros e sem correção monetária. O mestre só ficou tranquilo quando pagou. O empréstimo e o pagamento foram por intermédio de Nazarius.

 




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