A Grande Síntese

Estudemos agora, o diagrama da fig. 4. Tomando uma unidade de medida de tempo menor que na fig. 3, ou seja, tornando mais lento o curso do fenômeno, e colocando cada criação numa distância maior, isto é, a 45º ou a 90º etc., poderemos exprimir não mais (como na fig. 3) apenas o aspecto do fenômeno em seu conjunto, mas também o curso cíclico de desenvolvimento e retorno de cada uma das fases, no âmbito da própria criação. Assim, podemos observar melhor o fenômeno em seus pormenores, em nova figura de aspecto característico. Aos segmentos ascendentes e descendentes da linha quebrada, substitui-se , com expressão mais dinâmica, o movimento do abrir-se e fechar-se da espiral.

   A fig. 4 é construída dando-se a cada fase (α , β,  γ etc.) a amplitude de um ângulo reto. É preferível essa amplitude, em lugar de outros ângulos, porque vos exprime com evidência maior a lei do fenômeno, com superposições regulares de trajetória, como ocorre na realidade, em um conjunto mais equilibrado no retorno dos períodos. Observemos o diagrama em suas características. Encontramos aqui, reproduzido em sua expressão cíclica, o mesmo conceito que, nos pormenores da fig. 3 e, melhor, nos da fig. 2, tem sua expressão retilínea. Comecemos a observação do fenômeno em sua fase -y e sigamo-lo em sua ascensão através das fases -x e γ. Nesse ponto, o período fenomênico, depois de haver tocado um vértice - que nas figuras 2, 3 e 4 assinalamos com a letra a e que resultou do completo perfazimento das três fases - torna a descer, volta-se sobre si mesmo e, tornando a fechar-se, percorre em sentido contrário as últimas duas fases do período progressivo. O primeiro período fenomênico, que representa a criação, fica assim completo em seus dois momentos de ida e volta, evolutivo e involutivo, dados pelo percurso -Y->-x-> γ e -> γ->-x, que constitui a primeira parte da fórmula . Uma vez finalizada a fase -x, o período esgota-se e, para continuar, novamente se inverte, retomando o movimento ascensional. Mas este, agora, não parte mais de -y e sim de um degrau mais alto, -x; percorre outras três fases ascendentes que, desta vez, são: -x, γ, β; toca o vértice b, para descer de β  para GMS, onde inicia um terceiro período de novo retificando seu caminho. Assim, foi percorrido o trecho -x->γ, β, γ; esta constitui a segunda parte da fórmula de  e corresponde à criação b. O fenômeno continua a desenvolver-se, obedecendo a uma lei de progressão constante. As letras, vértices e períodos das espirais da fig. 4 correspondem aos da linha quebrada das fig. 2 e 3. Como na linha quebrada, a trajetória continua a subir e a descer; também no diagrama da fig. 4, ela continua a abrir-se e fechar-se na espiral. As criações a, b, c, d, que culminam, na linha quebrada, nos vértices a, b, c, d, e correspondem no desenrolar-se e envolver-se da espiral, são os máximos progressivos a, b, c, d etc.; aí se desenvolve a fórmula de .

   O diagrama da fig. 4 exprime o fenômeno não apenas em sua síntese linear, mas também em sua síntese por superfície, que se torna ainda mais evidente. As três faixas circulares -y, -x e  γ, representam, no sentido espacial, a amplitude das três fases, cobertas pelo desenvolvimento da criação a. Esta produz, como resultado máximo, a fase  γ, isto é, a matéria, vosso mundo físico; o resultado final do percurso de cada período, é a cobertura de uma fase circular maior, que servirá, depois, de base a novos impulsos para ocupações de áreas maiores.

figura 14- a grande síntese

Desenvolvimento da trajetória dos movimentos fenomênicos na evolução do Cosmos.

Agora, afastemo-nos dos aspectos particulares do fenômeno, a fim de vê-lo cada vez mais em seu conjunto e observá-lo em linhas cada vez mais gerais. A lei de desenvolvimento da trajetória típica dos movimentos fenomênicos está expressa por esta espiral, sujeita a um ritmo de pulsações que se invertem continuamente, abrem-se e fecham-se, desenrolam-se e enrolam-se. É como uma respiração íntima. É o resultado final desse contínuo voltar sobre si mesmo. É uma progressão constante. Esse é o produto último desse profundo trabalho íntimo de todo o sistema. Assim, em sua simplicidade aparente, a progressão constante da evolução é o resultado de uma elaboração complexa e profunda. Dessa forma, são sucessivamente cobertas as diferentes fases: a cada criação, surge o universo físico, depois o dinâmico, depois o psíquico, e assim por diante; o produto último de cada criação permanece, soma-se aos precedentes, totaliza-se numa cobertura cada vez maior de superfície, produzida pelas faixas circulares-concêntricas, todo o sistema lentamente se dilata.

   Ei-nos chegados a uma síntese mais ampla do fenômeno, a síntese cíclica, expressa por uma espiral que se desenvolve em progressão constante. A expansão do sistema não é constituída apenas por seu dilatar-se em superfície, mas também pela linha ao longo da qual ocorre essa dilatação. Da mesma forma que, unindo os vértices a, b, c, d etc., da linha quebrada do diagrama da fig. 3, obtém-se como expressão sintética, uma espiral (em que se reencontra a linha Ox da fig. 1); assim também, unindo os correspondentes máximos sucessivos de abertura a, b, c, d, e, f, g  etc., no diagrama da fig. 4, se obtém igualmente uma espiral de abertura constante. Podemos, assim, nesta espiral, estabelecer uma linha maior do fenômeno, na qual se desprezem os pormenores dos retornos, tendo-se em conta apenas a progressão final. Eis uma expressão mais alta da Lei. Assim traçamos a espiral, que dissemos ser a trajetória típica dos movimentos fenomênicos. Simplesmente afastando o olhar da fig. 4, veremos essa linha maior mais visível, com a superposição dos três percursos de que ela é formada. Porque cada fase, para ser definitivamente superada e estavelmente fixada no sistema, tem de ser percorrida três vezes em direção progressiva de evolução: a primeira como produto máximo do ciclo, a segunda como ponto médio, a terceira como produto mínimo, ou seja, ponto-de-partida ou fase inicial do processo evolutivo. Como se vê, o sistema é trino tanto em seu conceito, como em seu desenvolvimento. Tomando como linha única do fenômeno essa espiral maior, sua expressão mais sintética, veremos que o resultado final de seu desenrolar é o percurso da abscissa vertical que indica a evolução; que a linha -z, -y, -x, γ, β,  α , +x, +y, +z +n é apenas a trajetória que resume todo o movimento complexo, do qual resulta o abrir-se da espiral. Veremos que essa trajetória - síntese ainda maior, que resume todas as precedentes, produzida pela continuação de tantos trechos contíguos que representam as sucessivas fases de evolução - é também uma espiral, expressão de um fenômeno ainda mais amplo, sem jamais atingir o fim. Assim construiremos outro diagrama, que nos fornecerá a expressão máxima possível por síntese cíclica, da fenomenologia universal. Aí então, teremos observado o universo em seu aspecto mecânico e vos terei revelado a grande Lei que o rege.

 

Aprofundemos ainda mais. Compreendeis que o ser não pode ficar fechado no ciclo de , o vosso universo, dado pelas três formas,γ, β,  α ; que uma eterna volta sobre si mesmo seria trabalho ilógico e inútil; que seria absurdo caminhar sem meta nesse eterno  círculo α→ β→ γ →β→α . Vossa mente compreende esta minha argumentação: qualquer limite que se colocasse em , a razão saltaria por cima dele, procurando outro mais afastado; é absurdo o ciclo fechado, que se repetisse infinitamente em si mesmo. Vossa mente sente a necessidade do ciclo aberto, ou seja, do ciclo que se abre para um ciclo maior, ou que torna a fechar-se em si mesmo para um ciclo menor, sem nenhuma limitação. Fica assim, satisfeita vossa mente, porque foi atendida a necessidade e concedida a possibilidade para que o ser voltasse sobre si mesmo, sobretudo, se estendesse fora de si, além de si, além da forma conquistada que o constrange.

Essa fórmula do ciclo fechado, que já vos demos com a expressão sumária: α→ β→ γ →β→α, tem que ser substituída agora pela fórmula mais exata e complexa do ciclo aberto. De acordo com esta nova fórmula, a expressão gráfica dada:

figura 9 - a grande síntese

transforma-se nesta outra:

figura 10- a grande síntese

em que o ciclo do universo , dado por α→ β→ γ →β→α     não está mais fechado em si mesmo, mas se abre, invertendo o caminho α→ β em β→α     e assim desenvolvendo os universos contíguos: 2, 3 etc.

   A fórmula do ciclo aberto estende-se também para o negativo que é dada pela seguinte expressão:

  figura 11- a grande síntese

   O diagrama da fig. 2 apresenta-nos esse mesmo conceito dos ciclos sucessivos com uma linha quebrada que sobe, alternando seu movimento ascensional com períodos de regressão involutiva. Unindo entre si os vértices e as bases da linha quebrada, vemos reaparecer aqui, no conjunto, a linha ascensional OX em sua expressão mais simples. Encontramos, em nível mais alto, o mesmo princípio, de que agora analisamos o íntimo ritmo e vemos a estrutura mais completa.

   Observemos agora as características da fórmula do ciclo aberto. As fases da evolução, elementos que compõem as fórmulas dos cinco ciclos sucessivos examinados, podem - nas 5  fórmulas sobrepostas - dividir-se em quatro colunas. Veremos, assim, como se repete em nível diferente o mesmo ciclo com o mesmo princípio. A primeira coluna à esquerda indica o ponto-de-partida; a segunda, a fase sucessiva do caminho ascencional; a terceira coluna indica o vértice do ciclo; deste se desce para a quarta e última coluna. Duas fases de ida e uma de volta projetam a série dos vértices γ, β,  α , +x... cada vez mais alto, segundo uma linha ascendente. A diferença de nível, entre os pontos-de-partida e os de chegada, é a condição necessária à progressão do sistema. Esclarecemos mais adiante, com casos mais particulares, o significado e as razões filosóficas desse deslocamento, pelo qual a linha não volta ao nível precedente, mas a um mais alto.

   O curso da linha quebrada no diagrama da fig.2 expressa de forma evidente esses conceitos. As coordenadas são ilimitadas, suspensas no espaço entre dois infinitos. As fases são representadas não por uma linha, porque não são um ponto, mas por uma faixa, uma superfície, porque só um espaço pode, graficamente, dar a idéia do deslocamento necessário para atravessar a fase. Cada ciclo representa o que chamais de uma criação. Tais criações se sucedem no diagrama com as letras a, b, c, d etc. Tomamos a criação como unidade de medida do tempo, o ritmo da transformação do fenômeno que examinamos.

   Resumindo o que dissemos até agora, poderemos concluir: o aspecto dinâmico do universo é regido por uma lei mais complexa (aspecto mecânico) e sua expressão não é dada, simplesmente pela fórmula:

   ῳ =α→ β→ γ →β→α    

   mas, por esta outra:

  figura 12 - a grande síntese

em que ∆  exprime, na série infinita, uma unidade coletiva maior que , isto é, um organismo de universos.

 

Chegou agora o momento de aprofundar nosso estudo, enfrentando problemas de complexidade maior. Até aqui me mantive relativamente à superfície dos fenômenos, detendo-me em sua aparência exterior, que é a mais acessível a vosso intelecto. Procedamos agora ao exame de sua íntima e profunda estrutura, do processo genético do mundo fenomênico.

Nas páginas anteriores tracei-vos as características, a gênese e o desenvolvimento da fase  γ, e lançamos um olhar de conjunto sobre as outras duas formas de  ῳ, isto é, de β  e α. Mais tarde, penetraremos no exame minucioso da fase dinâmica e psíquica, que merecem estudo profundo por que se referem ao que vos atinge mais de perto, ou seja, aos fenômenos da vida e da consciência, também de vossa vida e de vossa consciência, tanto no campo individual quanto no social. Com isso, terminarei o tratado e o edifício estará acabado, porque terei lançado nova luz ao vosso mundo; terei implantado as bases de novo viver particular e coletivo, que se apóia ao mesmo tempo na ciência e na revelação, novo viver que constituirá a nova civilização do 3º Milênio.

Mas, antes de prosseguir em extensão, expandindo-me nestes novos campos, procedamos em profundidade, para tomarmos conhecimento da essência dos fenômenos que observamos. Não era possível, antes deste momento, empreender este estudo. Ele não mais se refere ao universo em seu aspecto estático nem dinâmico já observados, mas considera-o sob novo ponto de vista, seu aspecto mecânico.

   O aspecto estático refere-se às formas do ser e sua expressão é:

   figura 5 a grande síntese

   O aspecto dinâmico diz respeito ao devenir (evolução) das formas do ser e sua expressão é:

  figura 6-  a grande síntese

   O aspecto mecânico considera a essência do devenir das formas do ser e sua expressão é uma linha: a espiral.

 Certamente notastes como as formas ou fases de , a Substância, são três: matéria γ, energia β, espírito  α . Assim seus aspectos são três, ou seja, podem considerar-se: 1º como formas; 2ºcomo fases; 3º como princípio ou lei. Esses três aspectos são as três dimensões da trindade da substância. Unidade trina, a três dimensões. Em uma palavra, o universo não é apenas uma grande organização de unidades e o funcionamento de um grande organismo de seres, é também vir-a-ser, o transformismo evolutivo desse organismo e de suas unidades; é, enfim, o princípio, a lei que rege esse transformismo.

   O estudo desse princípio nos ocupará agora.

   O eterno devenir do ser é guiado por lei perfeita e matematicamente exata; o transformismo evolutivo universal obedece a um princípio único. Eu vos exporei esse princípio, que encontrareis na infinita multiplicidade das formas, idêntico e constante, e vos traçarei a linha do seu devenir, a trajetória da evolução, uma linha absolutamente típica que se pode denominar matriz do transformismo universal; uma trajetória que todos os fenômenos, os mais díspares, seguem em seu processo de desenvolvimento. Princípio absoluto, trajetória inviolável. Cada fenômeno tem uma lei e essa lei é um ciclo. Cada fenômeno existe enquanto se move de um ponto de partida para um ponto de chegada. Existir significa mover-se segundo essa linha de desenvolvimento, que constitui a trajetória do ser.

 

A trajetória típica dos movimentos fenomênicos, expressão sintética do seu devenir, é a linha que já encontrais no mundo físico, no nascimento da matéria; é a linha das formações estelares (nebulosas) e planetárias, isto é, o vórtice, a espiral. Ela exprime a fenomenogenia e seu estudo conduzir-vos-á a nova concepção cosmogônica.

   Procedamos à sua análise, começando pelos conceitos mais elementares e caminhando com ordem, do simples ao complexo. Para evidenciar o melhor conceito, expressá-lo-emos também com diagramas.

   A fig. 1 representa a lei do caminho ascensional da evolução, em sua expressão mais simples. A abscissa horizontal indica a progressão da unidade de tempo e a vertical a progressão dos graus de evolução. Isto nos aparece aqui em sua nota fundamental e carecterística dominante de caminho ascensional linear contínuo (OX).

   Algumas definições:

   Por evolução, entendo o transformar-se da substância, desde a fase  γ até às fases β, α e além, como veremos, e a transformação que sofrem as formas individuais através dessas fases.

   Por tempo entendo, o ritmo, a medida do transformismo fenomênico; isto é, um tempo mais amplo e universal que o tempo no sentido restrito - medida de vosso universo físico e dinâmico - e desaparece no nível α; um tempo que existe onde haja um fenômeno e subsiste em todos os níveis possíveis do ser, tal como um passo que assinala o caminho da eterna transmutação do todo.

   Por fenômeno, entendo uma das infinitas formas individuadas da substância, o seu devenir e a lei do seu devenir. Por exemplo: um tipo de corpo químico, de energia, de consciência, em seus três aspectos - estático, dinâmico e mecânico. Fenômeno é a palavra mais ampla possível, porque compreende tudo, enquanto é e se transforma de acordo com sua lei. Em meu conceito, ser jamais significa estase, mas eterno devenir.

figura 7 - a grande síntese

Diagrama da progressão evolutiva em sua mais simples expressão retilínia.

A fig. 1 é a expressão mais simples do curso do fenômeno no tempo, isto é,  da quantidade de sua progressão evolutiva, em relação à velocidade dessa progressão.

   Esta e as expressões que a ela se seguirem têm um significado universal. Portanto, para passar ao caso especial, é necessário levar em conta os graus particulares de evolução, na individuação fenomênica que examinarmos, e de sua velocidade particular de progressão. Levando isso em conta, a linha pode aplicar-se a todos os fenômenos e as trajetórias que assinalarmos são aplicáveis a todos eles. Entretanto, para simplificar e salientar a evidência, tomo agora, particularmente, para exame um tipo de fenômeno, que é o maior que conheceis, o máximo, e compreende todos os menores: o transformar-se da substância em suas fases γ, β,  α. Isto com o objetivo de dar-vos uma idéia mais exata do processo genético do cosmos.

figura 8 -  a grande síntese

Análise da progressão em sua fases evolutivas e involutivas.

       A fig. 2 exprime um conceito mais complexo.

   Dissemos que na eterna respiração de , a fase evolutiva é compensada por uma fase equivalente involutiva, e que vosso atual caminho ascencional  γ →  β tinha sido precedido por um caminho inverso de descida: α→ β→ γ. Desse modo, para que a expressão fique completa, a linha traçada OX, deve ser precedida por uma linha oposta que, da mesma altura α torne a descer a O. Mas, quando expus a grande equação da substância e seu aspecto dinâmico: ῳ =α→ β→ γ →β..., eu disse sumariamente que o devenir retornava sobre si mesmo. Isso porque, se o tivesse definido com mais precisão naquele momento, teriam surgido dúvidas e complicações, que só agora podemos resolver, quando estamos observando o aspecto mecânico do fenômeno.

   Certamente, compreendeis que o absoluto só pode ser infinito em todas as direções; só pode haver limites em vosso relativo; se tivéssemos que pôr limites ao absoluto, esses limites não estariam no absoluto, mas apenas traçados pela insuficiência de vosso órgão de julgamento: a razão; que o universo não só se estenderá infinito em todas as direções possíveis, espaciais, temporais e conceptuais, mas que, em determinado ponto, ele desaparecerá de vossa visão insuficiente e se desvanecerá, para vós, no inconcebível. As fases α , β,  γ, não podem esgotar todas as possibilidades do ser. Elas são ῳ - o vosso universo, vosso concebível. Mas, além delas, há outras fases e outros universos, contíguos, comunicantes, que para vós são o nada, porque estão além de vossas capacidades intelectivas. Essas fases estendem-se além de  α, em progressão ascendente para um infinito positivo; abaixo de  γ em progressão descendente para um infinito de sinal oposto.

   Por isso, a fig. 2 assume um aspecto diferente da fig. 1. Enquanto a linha do tempo se estende horizontalmente, de um - a um + ilimitada em ambas as direções, a linha da evolução estende-se, no alto e em baixo, para + e -. E às fases γ, β,  α  seguirão, no alto, as fases evolutivas (que desconheceis): +x, +y, +z etc.; embaixo, prosseguirão as fases involutivas (que também desconheceis) -x, -y, -z, que constituem criações limítrofes (mas não no sentido espacial), de .

   O sistema, embora de maior amplitude e complicação que o de , equilibra-se igualmente, mas num equilíbrio mais vasto e complexo. Apenas como o ciclo α→ β→ γ →β→α    não é a medida máxima do ser, assim tampouco o é este ciclo maior: ele é apenas uma parte de um ciclo ainda mais amplo. Pois, repito: não há nem pode haver limite de maior ou menor, de simples e complexo; mas tudo se estende sem princípio nem fim, nas infinitas possibilidades do infinito. Vosso campo visual é limitado e só pode abarcar um trecho dessa trajetória maior, ao longo da qual ocorrem as criações e se escalonam os universos. Isso, porém, não vos faça supor imperfeição, falta de equilíbrio e ausência de ordem, pois aí tudo se desenvolve segundo um princípio único e uma lei constante.

Essa filosofia da ciência de que vos falei, tem a função de coordenar a grande quantidade de fenômenos que observais; de reduzir a uma síntese unitária vossa ciência, a fim de não vos perderdes no particular das análises; tem a função de dar-vos a chave da grande máquina do Universo. Vossa ciência possui vícios de base e defeitos orgânicos que venho sanar. Falta-lhe totalmente unidade e isto impediu-lhe até agora de elevar-se a sistema filosófico, dando-vos uma concepção de vida. De um lado, as filosofias institutivas, de outro, uma ciência puramente objetiva, caminhando por estradas opostas e com metas diferentes, só podiam chegar a resultados incompletos. Mantendo separados o abstrato do real, eram insuficientes para conseguir a síntese completa que vos dou, fundindo os dois extremos: intuição e razão, revelação e ciência. Quando estiver completa nossa viagem pelo cosmos, tornarei a descer, num tratado mais profundo, aos pormenores de vossa existência individual e coletiva, para que ela não seja mais guiada, como até agora, pelos instintos que emergem de uma lei que desconheceis, mas possais, vós mesmos, com consciência e conhecimento - não mais menores de idade - tomar as rédeas do funcionamento complexo de vosso mundo. Outro defeito de vossa ciência é de constituir-se em ciência de relações, ou seja, que se limita a estabelecer, embora de forma matematicamente exata, as relações entre os fenômenos; ciência que parte do relativo e se move apenas no relativo. Minha ciência é ciência do absoluto. Eu não digo: "poderia ser". Digo "é". Não discuto: afirmo. Não indago: exponho a verdade. Não apresento problemas, nem levanto hipóteses: exprimo os resultados. Minha filosofia não se abstrai em construções ideológicas, mas permanece aderente aos fatos em que se baseia.

   Vós multiplicais vossa perspicácia e o poder de vossos meios de pesquisa, mas o ponto de partida é sensório. Assim, percebeis a matéria como solidez e não como velocidade. Torna-se-vos difícil, mas só por vias indiretas chegais a imaginar como a massa de um corpo exista em função de sua velocidade; como a transmissão de uma nova energia signifique para ele um peso maior; como a velocidade modifique as leis de atração (giroscópio); como a continuidade da matéria se deva à velocidade de deslocamento das unidades eletrônicas que a compõem, tanto que, sem essa velocidade - dado seu volume mínimo em relação ao espaço em que circulam - vosso olhar passaria através delas sem perceber nada; como sua solidez, fundamental para vossas sensações, deva-se à velocidade de rotação dos elétrons, que lhes confere quase uma contemporânea onipresença espacial; velocidade sem a qual toda a imensa grandeza do universo físico se reduziria, em um átimo, ao que verdadeiramente é: um pouco de névoa de poeira impalpável. Eis a grande realidade da matéria, que a ciência deveria mostrar-vos: a energia.

   Pelo método em que se baseia, vossa ciência é inapta para descobrir as íntimas ligações  que unem as coisas e delas revelam a essência. Por exemplo: compreendestes o fenômeno que demonstra a transformação, que afirmei, de β  em γ, e o retorno da fase matéria à fase energia, observada também na radioatividade do vosso planeta, ou seja, o fenômeno mediante o qual o sol inunda de energia, a sua própria custa, desgastando-se em peso e volume, a família de seus planetas e o espaço, até exaurir seu ser. Mas a ciência pára aqui e olha para aquele sol, que é vossa vida, como para um enigma; sol que vagará por bilhões de séculos, exaurido de luz e de vida, apagado, frio, morto. Ao invés, eu vos digo: ele obedeceu à lei universal de amor, que impõe a doação gratuita e que, em todos os níveis, torna irmãos todos os seres do universo. Assim, por exemplo, tentais a desintegração atômica, procurando demolir o edifício atômico inviolado; tentais penetrar, entrando na zona eletrônica de alto potencial dinâmico, até o núcleo, bombardeando o sistema com emanações-projéteis de alta velocidade. Mas não vedes que a essência do fenômeno da transmutação dos átomos reside na lei da unidade e da matéria. Assim, também notastes que a matéria sideral nasce e morre, aparece e desaparece, volatiliza-se de um lado em radiações, e em outra parte reaparece como matéria; mas não colocastes lado a lado os dois fenômenos e não observastes o traço que os une e a linha comum cíclica do seu desenvolvimento. Eu vos revelo os vínculos que unem os fenômenos aparentemente mais díspares. Meu sistema não despreza a ciência, como acontece com vossa intuição filosófica; toma-a como base,  completa-a, ergue-a ao grau de concepção sintética, dá-lhe dignidade de filosofia e de religião, porque, no infinito pormenor da fenomenologia reencontra o princípio unitário que, dando-vos a razão das coisas e respondendo aos últimos porquês, é capaz de guiar-vos  pela estrada de vossas vidas e de proporcionar-vos um objetivo para vossas ações.




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