A Grande Síntese

Minha tarefa agora é ampliar esses princípios, que já dominais em todos os campos, e aprofundar-lhes o significado. Uma primeira ampliação do conceito de relatividade é dada pela lei da relatividade que abarca todos os fenômenos, com tanta força que impressiona vossa percepção e todas as vossas concepções. Não percebeis nem concebeis sua essência, mas as mudanças das coisas:  a base é o contraste, condição indispensável. Por isso, não percebeis um movimento, se vos moveis com velocidade igual (por exemplo, o da Terra), mas apenas as diferenças; não reparais, absolutamente que correis, com tudo o que vos circunda na superfície da Terra, com uma velocidade de quase meio quilômetro por segundo, o que equivale a cerca de 1.800 km por hora. Assim, duas forças constantemente equilibradas numa única massa, para vós não existem. A estase e o equilíbrio não são percebidos por vós, mas somente a mudança. Nesta lei de relatividade é que se encontra vossa fase de consciência. Aí está a razão pela qual vossa ciência é exclusivamente, como vos disse, uma ciência de relações, de natureza totalmente diferente da minha que, provindo de um plano superior, é ciência de substância.

   Ampliei o conceito de relatividade também à psicologia e à filosofia, ao falar-vos de verdades progressivas. Assim como o conceito evolucionista, que Darwin só viu nas espécies orgânicas, também o conceito de relatividade, que Einstein limitou a alguns momentos matemáticos, tem que ser completado com uma teoria de relatividade universal, que se estende a todo o universo. Isto representa uma conquista filosófica e científica, uma concepção mais profunda, uma compreensão mais ampla, uma harmonia e beleza superiores. Outra ampliação do conceito de relatividade pode ser feito em profundidade: aquela que vos levará a conceitos novos; não mais apenas o da relatividade das unidades de medida de vosso universo, mas aquele muito maior e profundo, o da evolução de suas dimensões.

   Se me perguntais onde termina o espaço, eu vos respondo: num ponto em que o "onde" se torna "quando", ou seja, em que a dimensão espaço, própria de γ   transforma-se na dimensão tempo, própria de β. Quando a matéria, quimicamente envelhecida, resfriada, solidificada, atinge a periferia do vórtice sideral, desagrega-se pela radioatividade, transmudando-se em energia; então a substância perde sua dimensão espacial e volta ao centro como corrente dinâmica e com dimensão temporal. Na periferia a matéria não é mais matéria, mas energia. Como a substância mudou de forma, deslocando seu ser de uma fase a outra, assim muda sua dimensão, que não é mais espaço, mas tempo. Expliquemos este conceito de dimensão e sua evolução.

 Vosso conceito de um espaço e de um tempo absolutos, universais, sempre iguais a si mesmos, corresponde a uma orientação puramente metafísica, que inconscientemente matemáticos e físicos introduziram em suas equações. Esse ponto de partida, totalmente arbitrário, vos levou a conclusões erradas; colocou-vos diante de fenômenos que se transformam em enigmas, perante contradições sem saída e conflitos insanáveis; de todos os lados, cerca-vos o mistério. Na realidade, somente encontrais, como vos disse, um tempo e um espaço relativos, cujo valor não ultrapassa o sistema a eles relativo. Mas há mais. Eles são apenas medidas de transição, em contínua transformação evolutiva.

 Esforçai-vos em acompanhar-me. Se vosso universo é finito como vórtice sideral, o sistema de universos e o sistema de sistemas de universos é infinito. Se o espaço fosse um infinito, não teria limites em sua qualidade de espaço, no entanto, ele os tem; não os encontrareis no espaço, em direção espacial, mas em direção evolutiva. Deste conceito, ao qual já acenamos, chegamos agora à novíssima concepção: os únicos limites do espaço são hiperespaciais, isto é, são no sentido do desenvolvimento da progressão evolutiva e exatamente na dimensão sucessiva. Ou melhor: se quiserdes um limite para o espaço, só o encontrareis nas dimensões que o sucedem e o precedem. Pormenorizemos, ainda.

Cada universo tem uma medida de unidade própria, que consiste em sua dimensão. Como se passa, por evolução, de uma fase para outra, como vimos na transmutação das formas da substância, em que os universos aparecem e desaparecem, assim, por evolução, passa-se de uma dimensão a outra e as unidades de medida do relativo aparecem e desaparecem. Tudo o que é relativo - portanto, também a dimensão que é sua medida - deve, como o relativo, nascer e morrer. Assim, as dimensões evoluem com os universos acompanhando as fases que estudamos. Do conceito de dimensão relativa, passamos ao de progressiva. Ora, passagem de fase significa também passagem dimensional. Do espaço ao tempo se passa por evolução, esta é paralela àquela que leva da fase  γ   à fase β.

 Existe, pois, uma lei a que chamaremos de "lei dos limites dimensionais", que pode ser assim enunciada: "Os limites de uma dimensão são dados pelos limites da fase de que ela é a unidade de medida; eles encontram-se no ponto em que, por evolução, passa-se de uma fase a outra, isto é, onde ocorre a transformação de uma fase e de sua dimensão na fase e dimensão sucessiva".

 

Inicio com vossa e bem recente teoria científica, à qual me ligo como a um ponto de partida: a teoria da relatividade de Einstein. Presumo que a conheceis, assim como aos conceitos sobre a quarta dimensão. Os critérios que adotastes para criar uma quarta dimensão do espaço, permanecendo no espaço, estão errados. A dimensão sucessiva à terceira espacial não está no espaço. O quarto termo sucessivo aos três da unidade trina só pode encontrar-se na trindade sucessiva. Isto se dá em virtude da lei pela qual o universo é individualizado por unidades tríplices e não quádruplas. Portanto, é absurdo o conceito da continuação do desenvolvimento tridimensional do espaço - que vai do ponto adimensional à linha (primeira dimensão), à superfície (segunda dimensão) e ao volume (terceira dimensão) - num hipervolume. Trata-se de um absurdo imaginoso essa construção ideal de uma quadridimensão octaedróide e dos outros poliedróides do hiperespaço. Aumentar um volume significa permanecer no volume, ainda que o multipliquemos por ele mesmo. Por isso não obtivestes resultado prático até agora, nem mesmo pela representação hiperestereoscópica, nem pela conceptual. A pretensa geometria a quatro, cinco, n dimensões, que imaginastes, é uma extensão da análise algébrica e não uma geometria propriamente dita. Trata-se de uma pseudo-geometria, mera construção abstrata, com formas inimagináveis e inexprimíveis na realidade geométrica.

 Como todo universo é trifásico, é também tridimensional. Chegados à terceira dimensão, é necessário, para progredir - em virtude do princípio da unidade trina - iniciar nova série tridimensional, pois o período precedente exauriu-se; é indispensável sair do ciclo precedente para começar outro novo. Chegaremos, depois, ao conceito da evolução das dimensões, dilatando a concepção einsteiniana da relatividade, quer estendendo-a a todos os fenômenos, quer em profundidade de conceito.

 A concepção tridimensional do espaço euclidiano esgota a primeira unidade trina e, com isso, exclui uma quarta dimensão no espaço. Mas, a sucessão das dimensões já contém o conceito de sua evolução. Considero linha, superfície e volume como três fases de evolução da dimensão espacial. Mas, para além, não bastam essas concepções matemáticas. Para mudar a dimensão, é necessário iniciar um movimento em direção diferente e introduzir elementos totalmente novos. Procurastes ultrapassar a concepção euclidiana, concepção de um espaço elíptico, compreendido como campo de forças finito, formado por linhas fechadas em si mesmas, correspondente ao meu conceito cíclico e na concepção de hiperespaços pluridimensionais. Para resolver esse problema, temos que tomar outra direção.

 Partamos do conceito de relatividade. Não tendes um tempo e um espaço em sentido absoluto, isto é, que existem por si mesmos, independentes das unidades que os ocupam; mas eles são determinados por elas e a elas relativos. Portanto, não existe um movimento absoluto no espaço e no tempo. Vossas medidas, então, não correspondem senão a um conceito total de relatividade. Assim, cada fenômeno tem um tempo próprio, que lhe mede o transformismo: não existe uma unidade universal de medida, nem uma dimensão absoluta idêntica, invariável para todos os fenômenos. Até mesmo na ciência e na matemática estais imersos, sem possibilidade de saída, em vossa relatividade. Só podeis estabelecer relações com elas, nada mais: o absoluto vos escapa.

   Já vos disse: vossa razão não é a medida das coisas; sois parte de um grande organismo; até vossa consciência representa uma fase: é um fenômeno entre os fenômenos. Alguns conceitos estão além de vossa consciência, e só podeis alcançá-los por maturação evolutiva de vosso Eu. Modificando esses princípios fundamentais para a ciência, modifica-se, também, toda a estrutura de vossos sistemas científicos; derrogam-se a física e a mecânica clássicas newtonianas. Mas, os novos conceitos têm a vantagem de corresponder a uma realidade mais completa e profunda. Assim a mecânica racional transforma-se em mecânica intuitiva mais avançada. Surge a possibilidade de solução de problemas que os velhos princípios não podem resolver. A ciência que construístes, sem dúvida, vale algo e tínheis que criá-la. Mas hoje chegastes a um ponto em que é preciso criar uma nova ciência, para avançar.

 

Retomemos agora alguns conceitos já ventilados e continuemos seu desenvolvimento. Desse modo, completaremos a exposição sumária dos princípios e tornaremos a observá-los na realidade fenomênica; observaremos os fatos sempre sob novos aspectos.

Retomarei por um momento a fase γ em seu aspecto estático, descrevendo-vos a construção do universo físico: uma pausa no campo astronômico, para daí tomar impulso para conceitos mais profundos. Dir-vos-ei coisas que não podia expor antes de amadurecer tantos conceitos. Esta minha exposição cíclica progressiva que adoto, corresponde à maturação de vossa psique e à necessidade de expor-vos gradualmente a grande visão, a fim de que a assimileis, ao invés de perder-vos. Cada conceito, se não for esboçado antes, numa primeira fase apenas em suas linhas fundamentais, arriscaria perder sua unidade em infinitas ramificações colaterais. Cada conceito estende-se como uma esfera, em todas as direções, enquanto vossa consciência só pode perceber um de cada vez. Por brevidade, temos que escolher os principais. Minha consciência volumétrica - isto é, de terceira dimensão - num plano superior à vossa, de superfície (segunda dimensão), como vos explicarei, vejo por síntese, ao passo que vós vedes por análise. O finito, de que sois feitos, justifica esses retornos, a que sois obrigados, para examinar sucessivamente a realidade em seus aspectos, que nós vemos em síntese, a fim de penetrar, por degraus, além da forma que está na superfície e recobre a essência que está na profundidade.

  O estudo do aspecto dinâmico da fase γ mostrou-vos na estequiogênese, o nascimento, a evolução e a morte da matéria. Caiu, desse modo, vosso dogma científico da indestrutibilidade da matéria. Compreendidos os conceitos de nascimento da matéria, por concentração dinâmica; de sua evolução química; de sua morte por desagregação atômica (radioatividade); vejamos, agora, como se comporta essa matéria na realidade do universo astronômico, nos imensos amontoados de estrelas.

   Um exemplo no campo físico poderia ser trazido como ilustração do princípio do desenvolvimento cíclico dos fenômenos, com a volta ao ponto de partida, mas com progressivo deslocamento do sistema: é o que encontrais na trajetória traçada pelo caminho da Terra nos espaços. Girando em redor do sol num plano, com os outros planetas, em sua mesma direção - enquanto o sol, por translação, afasta-se das regiões de Sírius para as de Vega da Lira e para a constelação de Hércules - a Terra descreve exatamente uma trajetória que, mesmo retornando sempre sobre si mesma, jamais volta ao mesmo ponto de partida no espaço. Isso acontece porque o movimento solar de translação faz desenvolver-se a elipse planetária, não num plano, mas em espiral, de acordo com a direção do deslocamento do sol.

   Entretanto, observemos mais de perto um fenômeno muito mais amplo: a construção de vosso universo estelar. Já acenamos a isso a propósito do desenvolvimento do vórtice das nebulosas. Esse simples aceno merece mais profundo exame, agora que completamos o estudo da espiral. Vosso universo estelar é constituído pela Via Láctea; no plano físico, é a exata expressão do princípio da espiral. Muitas dúvidas vos atormentaram e muitas hipóteses aventastes, para explicar a construção e a origem dessa faixa estelar que envolve os dois hemisférios de vossa visão celeste. Não formulo hipóteses, mas vos transmito, como o vejo, o estado dos fatos e vos indicarei de que modo, em parte, podereis controlá-los.

   A matéria, pela lei das unidades coletivas, se vos apresenta em amontoados geológicos e siderais. Todo o vosso universo físico é constituído pela Via Láctea, um sistema completo e limitado, a cujo diâmetro podeis dar o valor de cerca de meio milhão de anos-luz. O sol, com a corte de seus planetas, está situado no sistema. A via Láctea é, exatamente, um vórtice sideral em evolução.

   Demonstraremos esta afirmação. O grande vórtice da Via Láctea é dado pelo seu devenir - pela lei dos ciclos múltiplos - por vórtices siderais menores, que vedes e conheceis, e nos quais podeis encontrar o caso maior. Os telescópios vos põem sob os olhos várias nebulosas, as da constelação da Balança, de Andrômeda; a nebulosa em espiral da constelação do Cão, nebulosa regular, em que a linha da espiral está claramente  viível. O vórtice estelar é, por vezes, como neste caso, orientado de maneira a apresentar-se de frente, às vezes obliquamente, aparecendo como um oval achatado, em perspectiva, como na nebulosa de Andrômeda; às vêzes de perfil, em sua espessura. Neste caso, assume o aspecto da seção de uma lente e as espirais, ao sobreporem-se, ficam ocultas ao olhar. Vosso sistema solar foi uma nebulosa, que agora chegou à maturidade; os planetas, cuja verdadeira órbita é uma espiral com deslocamentos mínimos, recairiam no sol, se não se desagregassem pela radioatividade. A via Láctea é apenas imensa nebulosa espiralóide, em processo de maturação. Vosso sistema solar, como as citadas nebulosas, faz parte dela. No âmbito da espiral maior, desenvolvem-se as espirais siderais menores. Podeis representar a Via Láctea como imenso vórtice, semelhante, embora maior, ao da nebulosa da constelação do Cão. O sistema solar está imerso na espessura do vórtice que, portanto, só aparece visível em sua seção; mas como seção, vos envolve nos dois hemisférios e por isso uma faixa em todo o redor.

   Eis os fatos que vos demonstram essa afirmação: é no plano equatorial da Via Láctea que se comprimem os amontoados das estrelas, enquanto nos pólos a matéria está em estado de rarefação; as estrelas multiplicam-se à proporção que vos avizinhais da Via Láctea. O sistema solar está situado mais para o centro da espiral, centro que lhe fica de lado, no plano de achatamento e do desenvolvimento do vórtice. A distribuição diferente das massas siderais, em vosso céu, é causada exatamente pela visão que conseguis, quer na maior secção horizontal, quer na menor secção da direção vertical, do esferóide achatado, que representa o volume do sistema espiralóide galático.

   Mas há fatos mais convincentes. A espectroscopia permite estabelecer uma espécie de astroquímica, que vos informa a respeito da composição das várias estrelas. Com a análise das radiações estelares, também podeis estabelecer sua temperatura, porque à proporção que esta aumenta, vedes aparecer no espectro as várias cores, do vermelho ao violeta, que é o último a aparecer. O ultravioleta revela as temperaturas mais altas. Quanto mais o espectro se estende nessa área, mais quente é a estrela observada. Então o espectro vos revela, concomitantemente, a constituição química e a temperatura. Baseando-vos nestes critérios, torna-se possível uma classificação das estrelas, quanto ao tipo, e uma graduação delas também em relação a seu grau de condensação, daí sua idade no processo evolutivo. Uma primeira série de estrelas é composta de gases incandescentes, como o hidrogênio, o hélio e o nebúlio (que ainda desconheceis). Deste último são as estrelas mais quentes. A matéria está no estado gasoso, a massa estelar é uma nebulosa ainda no seu início. Estas são as estrelas mais jovens, de cor prevalentemente azul, e representam a fase inicial da evolução sideral do vórtice galáctico. Essas estrelas estão todas situadas nas vizinhanças imediatas da Via Láctea. Continua a gradação e abrange estrelas de hélio sempre quentes e jovens, sempre próximas da Via Láctea; depois as estrelas de hidrogênio, em que se acentua o hidrogênio e o hélio, tende a desaparecer. Embora nas proximidades da Via Láctea, elas começam a espalhar-se pelo céu. Menos  jovens, mais avançadas evolutivamente que as precedentes, em via de condensação, emanam luz branca. A essa série de estrelas brancas (a que pertence Sírius) segue-se a das estrelas de luz amarela, nas quais os metais substituem os gases, mas sempre em temperaturas elevadíssimas, embora inferiores às precedentes. Estas estão espalhadas ainda mais uniformemente pelo firmamento e se acham em processo de solidificação. Entre elas situa-se vosso sol. Ele encontra-se entre as estrelas que estão envelhecendo, esperando a morte por extinção. Suas manchas já as anunciam e tornar-se-ão cada vez mais extensas e estáveis, até o fim. A última série é a das estrelas vermelhas, com a temperatura que chega a um resfriamento avançado, nas quais os gases desaparecem para dar lugar aos metais: são as estrelas mais velhas, distribuídas quase uniformemente pelo espaço.

   Entretanto, outros fatos há para observar e que se desenvolvem paralelamente aos quatro já observados: constituição química, temperatura, condensação, idade. As estrelas afastam-se da Via Láctea à proporção que envelhecem. Bastaria isto, para demonstrar que na Via Láctea está o centro genético do sistema, pois é exatamente nela que encontrais as estrelas em sua primeira fase de evolução. As vermelhas, as mais velhas, encontram-se afastadas das regiões mais jovens da Via Láctea. Em outras palavras: existe um processo paralelo de maturação da matéria e de afastamento do centro, porque as mutações químicas, o resfriamento, a condensação e o envelhecimento significam evolução, esta corresponde a um processo de abertura do sistema, que vai do centro à periferia.

   Acrescentemos outro fato: as velocidades siderais, partindo de uma velocidade nula para as nebulosas irregulares, aumentam gradualmente nas estrelas de hélio, de hidrogênio, amarelas, vermelhas, planetárias. Isso vos diz que as estrelas, durante o processo de evolução assinalado pelo tempo, projetam-se do centro para a periferia. Acrescentai a isto tudo o exemplo do tipo de   desenvolvimento em espiral, visível nas nebulosas menores, que reproduzem, em proporções mais reduzidas, o sistema maior, e tereis um acúmulo de fatos convergentes para o mesmo princípio, que afirmei ser a base da construção orgânica de vosso universo estelar.

 

Agora, que tendes um conceito da conformação de vosso universo e de seu processo evolutivo, ultrapassemos seus limites, tanto em sentido espacial, permanecendo no plano físico, quanto no sentido evolutivo, isto é, relativamente às fases já referidas que precedem e superam esse plano. Aqui a astronomia atinge a metafísica. Pensai que este universo, imenso e tão maravilhosamente complexo, é o mais simples, enquanto pode ser perfeitamente concebível para vós, entre os universos, nos quais este se transforma por evolução. É fácil ultrapassá-lo no sentido espacial; mais difícil o é em sentido evolutivo, porque aprofundar este estudo significa, para vós, invadir o campo do inconcebível.

   No sentido espacial, vosso universo estelar, considerado isoladamente, é um sistema finito; é imenso, mas pode ser medido; e tudo que se pode medir é finito. Vossa mente o domina por completo, porque sendo ela de um plano superior, pode ultrapassar qualquer limite espacial. Se podeis, num corpo tão frágil e pequeno, voar conceptualmente tanto que podeis compreender o universo físico, o qual jamais poderíeis percorrer todo materialmente, isso é devido ao fato de que existis numa fase evolutiva superior. Verificais, aqui, como a diferença de nível dá o poder de dominar e compreender o inferior, mas não o contrário. Os limites de vosso concebível, todavia, são dados na direção da evolução, isto é, pelas fases ou universos mais afastados ou superiores do vosso. No sentido espacial, a lei das unidades coletivas e as leis dos ciclos múltiplos indicam-vos a continuação do fenômeno com um conceito simples. Assim como a unidade do universo compõe-se de unidades menores, também ele constitui o componente de unidades maiores; assim como a espiral maior é produzida pelas menores, também ela torna-se a determinante  de espirais maiores, até o infinito. Encontraremos um limite, mas no transformismo evolutivo, não no espaço. Fisicamente, o vórtice de vosso universo é apenas um, da infinita série de vórtices ou nebulosas em processo de desenvolvimento ou de involução; eles combinam-se com este num vórtice ainda maior, até o infinito. Não podeis vê-los todos, porque não têm a vibração da luz. Vosso universo físico move-se todo em velocidade vertiginosa, em relação a outros longínquos universos semelhantes, a fim de fazer parte, com eles, de sistemas ainda maiores. Que isto não vos surpreenda! Não encontrais o mesmo princípio no vórtice eletrônico? Não se trata senão de uma pequena matéria e uma grande matéria; do átomo ao universo e além dele, de um pólo ao outro do infinito, o princípio é idêntico.

   Procuremos, todavia, ultrapassar os verdadeiros limites do sistema, que não encontrareis mais no mesmo plano físico, embora vossa mente os supere, ao infinito: os limites dados pelo transformismo evolutivo. Movendo-se sempre na mesma direção que o mundo físico, encontrareis sempre o mesmo princípio, sem mudanças. Para ultrapassá-lo e sair dele, é indispensável mover-se em outra direção: a da evolução. A abertura do vórtice sideral é mais que um processo mecânico: é aquela maturação íntima da matéria, que vimos na estequiogênese. O vórtice da nebulosa nasce e morre aí mesmo, onde a matéria nasce e morre, isto é, começa e termina lá onde a Substância inicia e termina seu ciclo de fase física. Em outras palavras: a matéria nasce no centro da Via Láctea e morre na periferia. Observai a correspondência com os princípios expostos acima! Observai como o vórtice maior sideral abre-se pelo desenvolvimento dos vórtices menores, planetário etc., até o atômico. Observai que da mesma forma que o centro genético espacial (aspecto estático da fase γ) é o núcleo da nebulosa de vosso universo, assim também o centro genético fenomênico (aspecto dinâmico de γ) é o hidrogênio, elemento-base da série estequiogenética, o que constitui, justamente, as estrelas jovens, quentes, gasosas, situadas na Via Láctea e as grandes massas gasosas que formam a substância-mãe das estrelas. Se imaginardes que esse processo significa o desenvolvimento de um princípio (aspecto mecânico ou conceptual do universo), podereis "sentir" agora a fase g concomitante e unitariamente, na trindade de seus aspectos.

   Vimos que as nebulosas nascem, como fase γ pela concentração dinâmica da fase β, Também o ponto máximo do fenômeno não é dado apenas pelo máximo de abertura espacial do vórtice provocado pelo impulso originário, mas ainda pela evolução da matéria, pela qual esta, depois de atravessar toda a fase γ desagrega-se e torna a assumir a forma de energia. Depois dissemos como a energia canaliza-se, por sua vez, em correntes que, de acordo com um vórtice centrípeto, guiam-na de novo para o centro (fase inversa do ciclo, período de descida involutiva) e, por concentração dinâmica, transformando-se de novo em γ formará o núcleo de novo vórtice centrífugo, de nova nebulosa espiralóide galáctica.

   Chegamos, pois, a este fato: o limite de abertura do vórtice sideral não é encontrado tanto no plano físico, quanto no ponto em que este toca, não no sentido espacial, mas em sentido evolutivo, um outro plano, onde o vórtice físico se inverte num vórtice dinâmico de regresso. A espiral, como vimos no diagrama da fig.4, fecha-se, mas o retorno do vórtice sideral é de natureza dinâmica; a reabsorção centrípeta, que contrabalança a precedente expansão, ocorre em fase evolutiva diferente. O que retorna ao centro é a forma energia e não a forma matéria, da qual se tinha afastado. As correntes siderais emanadas do núcleo gasoso são substituídas pelas correntes dinâmicas que reconstituem aquele núcleo. Em outros termos: a matéria não pode ter um limite em direção espacial (pois este se poderia, com efeito, sempre superar logicamente), mas apenas em direção evolutiva; ou seja, esse limite não pode ser situado em dado ponto do espaço, mas pode encontrar-se em qualquer ponto onde ocorra a transformação da matéria, em sua fase superior de evolução. Somente estes conceitos podem explicar-vos toda a complexa realidade do fenômeno. A condensação sideral é de natureza dinâmica; o vórtice que se abre em forma física, fecha-se depois de uma transmutação que o torna invisível aos telescópios; desaparece de vossos sentidos e prosseguem em direção inversa, numa forma que procurais em vão no plano físico. Muitos problemas de física e de astronomia vos parecem insolúveis exatamente porque vos mantendes sempre no plano físico e não acompanhais os fenômenos onde eles, sob este aspecto, se esvanecem; não sabeis reencontrá-los enquanto "renascem" num aspecto diferente.

   Estas considerações vos encaminham para a visão de conceitos ainda mais profundos, que vos fazem chegar até o limite do concebível. A essa altura, a ciência, que se tornara metafísica, transforma-se em mística visão e, expandindo-se num campo de completa abstração, presume não mais uma psicologia racional, mas uma psicologia de intuição. Falar-vos-ei, agora, do nascimento e da morte do tempo, do nascimento e da morte do espaço, do aparecimento e desaparecimento - por evolução e involução - dessas diversas dimensões em vosso relativo. Como tudo o que está no relativo tem um princípio e um fim, tudo tem que nascer e morrer. Esforçai-vos, agora, para superar esse relativo e para elevar vossa concepção ao infinito.

Sob minha direção, recomeçai comigo vossa viagem, mais que dantesca, através do universo. A estrada é longa, o panorama é amplo e vosso pensamento corre o risco de perder-se. Desejáveis provas e demonstrações; aqui as tendes em profusão. Segui-me e minha argumentação cerrada, maravilhosa correspondência de toda a fenomenologia existente com o Princípio Único que vos expus, levar-vos-ão até o fim — logo que tivermos atingido as conclusões de ordem moral e social — a enfrentar este dilema: ou admitir todo o sistema, ou nada. Se o sistema corresponde à verdade em tantos fenômenos conhecidos, deve também corresponder aos fenômenos que não conheceis nem podeis controlar; admitir e seguir os princípios de u’a moral superior — parte integrante do sistema — não será mais questão de fé, mas de inteligência.

   Depois disto, todo homem dotado de inteligência terá o dever de honestidade e justiça. Diante da demonstração evidente que coloca a questão moral na base do dilema: compreender ou não compreender, não é mais lícito duvidar e fugir. O malvado só poderá ser inconsciente ou de má-fé. Não se poderá mais discutir  uma ciência da vida, que está baseada numa concepção teleológica que corresponde aos fatos e que está em relação harmônica com o desenvolvimento de todos os fenômenos; não mais construções do todo, isolado do resto do mundo fenomênico, indemonstráveis, frequentemente uma nota dissonante no grande concerto do universo; não mais — como em tantas filosofias — uma idéia particular, elevada a sistema. Como um verdadeiro edifício erguido sobre fundamentos vastos como o infinito, o homem é considerado em relação às leis da vida, estas em relação à lei do todo. Uma vez completado o tratado, não será mais lícito, racionalmente, ao homem, isolar-se em seu egoísmo, indiferente ou agressivo, pois tudo é organismo, também a coletividade, esta não pode ser senão um organismo. Até mesmo em sua forma, esta teleologia  que estou desenvolvendo corresponde ao princípio orgânico e monístico do universo. Observai como é pouco o que estou demolindo e como, ao invés, cada palavra tem sua função construtiva; observai como é pouco o que nego, diante de tudo o que afirmo. Evito agressões e destruições; fujo de vossas inúteis divisões, como materialismo e espiritualismo, positivismo e idealismo, ciência e fé. Divergências transitórias vos atormentaram nos últimos decênios, mas eram necessárias para preparar-vos a maturação de hoje, que é o momento da fusão e da compreensão, entre uma ciência que se tornou menos dogmática e soberba, mais sábia em sua atenuada pressa de conclusões e deduções, e uma fé mais iluminada e consciente. Eu sou tanto uma quanto a outra. Meu olhar é bastante amplo para compreender, ao mesmo tempo, os dois extremos: o princípio da matéria e o princípio do espírito. Esta minha apologética da obra divina é novo benefício que vos chega do Alto. É uma demonstração que presume que sois conscientes, adultos e maduros. Vossa responsabilidade moral crescerá como nunca, se ainda quiserdes insistir nas velhas sendas da ignorância ou da ferocidade. Eu sei! O misoneísmo atávico de vossa orientação psicológica é imensa barreira, massa negativa e passiva, que me resiste com sua inércia. Qualquer mente humana se despedaçaria, sem movê-la, contra essa muralha gigantesca. Mas meu pensamento é um fulgor que abalará as mentes. Se possuís toda a resistência da matéria inerte, eu possuo todo o poder do pensamento dinâmico que desce relampejando do Alto. Vossa psicologia é um fenômeno com sua própria velocidade e massa, lançado ao longo de uma trajetória que resiste a todo desvio. Mas eu represento um princípio superior a esse fenômeno e intervenho no momento em que, por sua maturação, a lei impõe uma mudança de rota. Chegou o momento, e vós subireis.

   Cada vez percebeis melhor o centro deste pensamento que se vai desenvolvendo, não é, nem pode ser, de vosso mundo; é uma síntese tão ampla, poderosa e exaustiva, que jamais foi proferida na Terra. Toda essa massa conceptual, que tendes sob os olhos, move-se do infinito — seu ponto de partida — e daí desce até o vosso concebível. Para quem a procura, esta é a prova íntima, presente em cada página, da origem transcendente da obra, prova real, inerente ao Tratado que o acompanha; prova mais sólida que todas as exteriores que procurais nas qualidades do instrumento e nas modalidades de transmissão e recepção. O ângulo visual e a amplidão de perspectiva desta síntese estão, absolutamente, acima de todas as sínteses humanas ao vosso alcance. No entanto, esforço-me num contínuo trabalho de adaptação, a fim de reduzir à vossa capacidade estes conceitos, próprios de planos mais altos. Sem este trabalho, o Tratado teria de desenvolver-se, em grande parte, fora de vosso concebível, por considerar realidades superiores, inimagináveis para vós.

   Este Tratado satisfaz plenamente à necessidade de vossa ciência atual: reduzir a imensa variedade de fenômenos a um princípio único. Vedes todas as minhas argumentações convergirem para esse monismo sintético: a busca e a necessidade de vosso intelecto. Minha afirmação diz: unidade de princípio em todo o universo; unidade na complexidade orgânica, unidade no transformismo evolutivo. Em sua grandiosa simplicidade, esta idéia é a mais poderosa afirmação de vosso século. Esta idéia, tremendamente dinâmica e fecunda, é suficiente para criar uma nova civilização. O conceito de lei, que cada palavra minha reafirma, é ordem, equilíbrio, afirmação; põe em fuga todos os niilismos, pessimismos e ateísmos, a idéia da cegueira do acaso, da atrocidade do sofrimento, da desordem e da injustiça na criação; ela vos torna melhores e vos eleva a cidadãos de um mundo maior, conscientes das leis que o dirigem. Mas, uma tal síntese não podia ser alcançada por mentes imersas, no relativo, mas apenas de um ponto de vista que, estando fora da humanidade, pudesse, numa visão de conjunto, contemplá-la toda; ou seja, não podia chegar a vós, senão provindo de um plano mental superior. As páginas que se seguem justificarão estas afirmações,  dando-vos novas aproximações do superconcebível que vos ultrapassa.

   Colocasteis vossos pontos fixos na Terra, quando, ao invés, eles estão no céu. Os fatos donde moveis, o método da observação e o instrumento da razão, fecham-vos num círculo, sem possibilidade de saída. Jamais discutisteis vós mesmos e nem pensasteis que se devesse superar vosso instrumento — esta é a primeira coisa a fazer. Eu quebro os grilhões e escapo do círculo em que vos haviam trancado vossa ciência e vossa filosofia. Era preciso quebrar de uma vez por todas esse anel: análise e síntese, síntese e análise, e encontrar um ponto de partida fora de vosso relativo. Um sistema filosófico ou científico pode ser uma concatenação e uma construção perfeitas, do ponto de vista lógico e matemático. Mas o ponto fixo, a base de onde partis, está sempre lá, no relativo; por isso, vossas construções são em tão grande número e tão diferentes, todas prontas a ruir, logo que sejam deslocadas desse ponto. Muitas vezes vos isolais numa unilateralidade de concepção, elevando-vos, vós mesmos, a sistema.

   Muitas vezes sabeis, pelo poder da mente, mas depois vosso coração não segue junto. De que serve saber, se não sabeis amar? Separais pesquisa e paixão, mas o homem é síntese feita de luz e calor. Além disso, como pudesteis crer possível chegar sozinhos — por força de análises e hipóteses, esflorando os fenômenos com vossos sentidos limitados — a alguma coisa que ultrapassasse uma síntese parcial, isto é, a síntese máxima? O que tendes sob os olhos? Como pode caber em vosso pequeno mundo terreno, todo o mundo fenomênico? Entretanto, eu resolvo, mas mudando de sistema; arraso o método indutivo, para substituí-lo pelo método intuitivo8. Mas nem por isso deixo de dirigir-me e de ficar aderente à realidade, verdadeira base de qualquer filosofia. Eu vos digo: as realidades mais poderosas estão dentro de vós. Olhai o mundo, não com os olhos do corpo, mas com os olhos da alma. Os métodos dos quais tanto se ocupam certas filosofias, os métodos clássicos de pesquisa que vos parecem inabaláveis, já deram até agora todo o seu rendimento; são meios superados, que não vos farão mais progredir um passo sequer.




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