A vida  confia seu progresso a algumas células do organismo – humanidade –, a alguns elementos mais especializados e selecionados, assim como acontece para as células nervosas no corpo humano. Produz assim a vida, em quantidade e qualidade proporcionadas aos tempos e ao trabalho a executar, alguns tipos de super-homens, particularmente aptos a essas funções. Podem eles tomar a forma de heróis, de gênios, de santos. Sua função pode manifestar-se em várias formas, de acordo com o lugar, a época e as realizações a executar. São os maiores lutadores, porque se propõem a subjugar não as feras inimigas ou os seus semelhantes, mas a superar leis e formas de vida de um plano biológico, para pôr em prática leis e formas de vida de um plano mais adiantado de evolução. Despertam eles em si e na humanidade, qualidades latentes ainda adormecidas, dão uma direção à contínua transformação dos instintos, indicando ou impondo novos hábitos, que depois, pela longa repetição através da técnica dos automatismos, se fixam como qualidades novas. Desse modo, impulsionam eles a humanidade para sempre mais longe da ferocidade, da ignorância, do egoísmo, da materialidade, e sempre mais próximo da bondade, da inteligência, do altruísmo do homem coletivo, da espiritualidade. 

Podem assumir a forma de condutores de povos, de grandes pensadores, cientistas, artistas, mártires do ideal e do dever, místicos, santos. Mas, de qualquer modo, emergem ensanguentados das mais duras experiências e lançam o novo grito do porvir.

São eles a flor, o produto destilado da raça, e anunciam, percorrem e fazem percorrer novo caminho para novos horizontes. São verdadeiros pastores do rebanho humano, que doutra forma permaneceria sempre atento a pastar com a cabeça inclinada para a terra, seu único anseio. Esses homens de exceção personificam, no vértice, o drama das deslocações evolutivas ou revoluções biológicas. Passam no ciclo da vida como um raio que ilumina dum extremo a outro a terra escura, dinamizando a massa inerte da carne do vulgo humano. São eles a centelha do espírito que vivifica as formas da matéria. São os maiores vencedores, porque realizam e vencem a luta mais alta, a que impulsiona a humanidade a progredir. São os grandes da vida, que os fez os mais fortes e lhes confia trabalhos de gigante. O seu trabalho é o resultado de atitudes superiores, de vontade de ferro, de fadiga ardentemente desejada, tenaz e convergente, de irresistível paixão do bem. O homem normal, imerso nas batalhas do contingente cotidiano, ignora essas lutas apocalípticas realizadas no terreno da evolução para subir a Deus.

Tremenda coragem é necessária para aventurar-se contra as forças biológicas, para arrancar o ser de um plano inferior e arrastá-lo a um superior. Mas só assim podem superar-se as barreiras que atrasam a ascensão e arrombar as portas de um mundo mais elevado, para entrar por elas. Esses homens superiores são sempre guias do mundo, ainda que não pertençam à classe dos condutores políticos dos povos. Não é só no terreno político que deve adiantar-se o mundo, mas em todos os campos do seu multiforme progresso. Tornam-se esses homens instrumentos da vida, por meio do qual ela realiza seus fins. Fazem-se intérpretes de seus desígnios e executores de seus planos. Têm sempre, por isso, nova mensagem a comunicar à humanidade e a sua função é sempre de modeladores, qualquer que seja o seu tipo particular e a missão a executar. É sempre aos mais adiantados que compete, por força da lei da vida, guiar o mundo em todas as suas formas; a vida assim quer e assim de fato acontece, mesmo que eles não tenham o poder político, ou bélico, ou econômico, ainda que os seus semelhantes os reneguem e matem. É realidade biológica indiscutível o fato de que eles são mais evoluídos em relação à média, e isto é muito importante para a vida e suas finalidades. As massas nada sabem, antes são levadas a desconhecê-los, porque eles são diferentes e porque delas se distanciaram pela evolução. As massas acham-nos diferentes, porque eles participam pouco em seus vícios e defeitos, que tanto irmanam as inferiores. Por isso, procuram rejeitá-los, e às vezes os perseguem até matá-los.

Do livro Problemas Atuais - cap 1




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