Para compreender bem a passagem para as dimensões sucessivas deste segundo sistema, comparemo-lo ao primeiro. Enquanto este, em seu desenvolvimento, completa a dimensão espacial, o sistema seguinte, superior, que é vossa fase no nível humano, completa a dimensão conceptual, aquela cujas unidades de medida são as propriedades da consciência. Tal como ocorre nos universos precedentes quanto à gênese progressiva do espaço, temos nesta unidade superior a gênese progressiva da dimensão conceptual. Na fase  γ, está completa a dimensão espacial, mas é nulo o desenvolvimento da dimensão conceptual: o ponto, um germe. Em β aparece sua primeira manifestação: o tempo. O ponto movimentou-se, não mais em direção espacial, mas em nova direção conceptual, e nasce a reta, a primeira dimensão nova. Ao deslocar-se no tempo, o fenômeno adquire, em β uma consciência própria, linear, a primeira dimensão conceptual. O fenômeno, que não é ainda vida, nem consciência, sabe apenas o seu isolado progredir no tempo; não se expande além da linha de seu devenir, não se eleva a julgamento, como a consciência humana, não sabe sequer dizer "Eu", porque ignora qualquer distinção e a consciência do não-eu, aqui, é o inconcebível. Compreendamos, também aqui, não um tempo universal, isto é, a medida do devenir fenomênico; mas a dimensão desta fase, ou seja, a consciência (linear) do devenir. Entendido assim, esse tempo só nasce em β como propriedade da energia. Com efeito, apenas as forças tomam a iniciativa do movimento, tendo como dominante a característica dinâmica e dominam  γ, a terceira dimensão espacial, característica da matéria, que sofre esse movimento, não o inicia. Nas fases inferiores só existe o tempo em sentido mais amplo, entendido como ritmo do devenir, propriedade de todos os fenômenos; mas não como consciência do transformismo, propriedade das forças. Facilmente compreendeis que revolução trazem esses conceitos em vossa ordem habitual de idéias.

   Em  α  estamos na fase subumana e humana de consciência mais completa, e temos a segunda dimensão conceptual, correspondente, no sistema espacial, à superfície. Tal como da linha se passa à superfície, com deslocamentos em novas direções extralineares, assim, por deslocamentos semelhantes, a consciência humana invade o devenir de outros fenômenos, diferencia-se deles, aprende a dizer "eu", a perceber a própria individualidade distinta das outras, dobra-se sobre o ambiente, projeta-se para fora (a nova dimensão), observa e julga. Os sentidos são os meios dessa projeção para fora, característica da segunda dimensão, meios que na primeira eram desconhecidos.

   Em +x aparece a terceira manifestação de dimensão conceptual que completa o sistema, correspondente ao volume. A consciência que, na matéria, não tem dimensão (o volume é a dimensão espacial completa, mas diante do sistema sucessivo é uma não-dimensão, o ponto), no campo das forças assume a dimensão linear; no campo da vida alcança a dimensão superfície; no campo absolutamente abstrato do puro espírito adquire a dimensão de volume. As limitações de vosso concebível impede-me de lançar-me aos sistemas sucessivos, cada vez mais espirituais e rarefeitos, que se estendem  ao infinito. Ao invés, expliquemos as características da segunda dimensão (consciência) em relação às da terceira (superconsciência).

   Da mesma forma que a superfíce absorve a linha, a consciência absorve o tempo e o domina; enquanto as forças precisam do tempo, o pensamento o supera. Na passagem da fase β à fase α, a dimensão tempo tende a desvanecer-se, embora subsistindo, mas em tal aceleração de ritmo (onda) que vos pareceria quase desaparecer em nova dimensão. Com efeito, quanto mais baixa e material é a consciência, tanto mais é lenta e se assemelha a β; enquanto mais concreto o pensamento, mais denso é o ritmo e mais vagarosa a onda. O pensamento implica tempo, somente enquanto, e na medida em que ainda é energia; quanto mais é cerebral, racional, analítico, tanto menos é abstrato, intuitivo, sintético. Neste segundo sistema tridimensional, assistis a uma aceleração contínua de ritmo. Nessa aceleração o tempo é gradualmente absorvido. Por sua vez, a superconsciência domina e absorve a consciência, tal como o volume o fez com a superfície.

   Explico: a consciência humana, derivada por evolução de β, através da profunda elaboração da vida, não é linear; isto é, não é limitada em si mesma nem a um fenômeno, e pode sair e mover-se em todas as linhas de superfície, em todas as direções, abraçando como consequência, muitíssimos fenômenos. Por isso, é absolutamente hiperespacial. Mas, de qualquer forma, é sempre dimensão de superfície, à qual está inexoravelmente ligada enquanto não evoluir. Isso significa que está presa ao relativo, que só pode mover-se no finito, que só sabe conceber por análise, isto é, por meio da observação e da experimentação, tal como vossa ciência. Domina todas as linhas do devenir fenomênico, mas toda a sua vida está na superfície e dela não pode sair. Jamais vos perguntastes a razão dessa vossa insuperável relatividade, desses limites que restringem vosso concebível, dessa vossa incapacidade de visão direta da essência das coisas? Eis a resposta com expressão geométrica. Vossa consciência é segunda dimensão, de superfície e, como superfície, é uma contínua impotência diante do volume, sua dimensão superior. Para atingir o volume, é indispensável que a superfície se mova em nova direção; para atingir a superconsciência é necessário multiplicar a consciência por novo movimento. Dessa forma e só por multiplicação de análise podeis aproximar-vos da síntese. A superconsciência é dimensão conceptual volumétrica, que se obtém ao elevar uma perpendicular sobre o plano da superfície da consciência, conquistando, dessa maneira, um ponto de vista fora do plano: o único ponto que pode dominá-la totalmente. Por isso, só a superconsciência sobrepuja os limites de vosso concebível, domina o relativo na visão direta do absoluto, domina o finito, movendo-se no infinito; não mais concebe por análise, mas por síntese.

   São esses conceitos que escapam à vossa consciência e, nesse nível, não podem ser alcançados. Somente assim se passa do relativo ao absoluto, do finito ao infinito. Este não constitui uma sucessão nem uma soma de relativos, mas algo qualitativamente diferente: diferença de qualidade, de natureza, não de quantidade, nem de medida. O verdadeiro infinito é isso, bem diferente de tudo o que costumais chamar, é simplesmente um indefinido ou incomensurável. A superconsciência move-se numa esfera mais alta que a consciência humana, em contato direto com os princípios que vós laboriosamente procurais, tentando alcançá-los em sínteses parciais, e que só sentireis diretamente por meio de vossa evolução. Como vedes, diferença substancial. Não se trata de somar fatos, observações e descobertas; de multiplicar as conquistas de vossa ciência; trata-se de mudar-vos a vós mesmos. Não mais o lento e imperfeito mecanismo da razão, mas da intuição rápida e profunda. Não mais projeção da consciência para o exterior, por meios sensórios que apenas tocam a superfície das coisas, mas expansão em direção totalmente diversa, para o interior: percepção anímica direta, contato imediato com a essência das coisas.

   Eis a consciência maior que vos aguarda. Essa é a consciência que no princípio chamamos latente, dilata-se continuamente, aumentando-se com os produtos de vossa consciência. Em vós, a superconsciência está em estado de germe, que espera o desenvolvimento para revelar-se. Agora compreendeis que valor dar às palavras razão, análise, ciência, que vos parecem ser tudo. Para progredir mais, tereis de sair do plano de vossa consciência, a que penosamente estais presos, e conquistar um ponto fora dela. As intuições do gênio e as criações morais do santo são apenas perpendiculares levantadas no plano da superconsciência por antecipação. Por isso vos disse que a intuição é a nova forma de pesquisa da ciência futura; somente ela pode dar-vos, não mais ciência, mas sabedoria. Isto vos explica o inexorável relativismo de vossos conhecimentos, vossa limitação e relatividade de sínteses, a escravidão da análise, uma impotência apriorística de alcançar o absoluto. A superfície jamais vos dará, embora percorrida em todos os sentidos, a síntese volumétrica. Razão e intuição, análise e síntese, relativo e absoluto, finito e infinito são dimensões diferentes, produzidas em planos diferentes. Absoluto e infinito estão em vós em estado de germe, tremem na profundidade de vosso eu como um pressentimento: nada mais. Aí vos espera a maior aproximação conceptual da divindade. Eu estou neste plano mais alto, de consciência volumétrica, onde se domina todo o tempo, até mesmo o futuro, porque estamos fora e acima de vosso tempo; aqui a concepção é visão global instantânea de tudo o que só concebeis sucessivamente; aqui tenho, por visão direta a síntese que agora vos transmito. Destes planos mais altos, descem as revelações que se comunicam a vós por sintonização de ondas psíquicas, partindo de seres de outra esfera; consciências imateriais não perceptíveis aos vossos sentidos, que vossa razão não pode individualizar.

   Assim sucedem-se as três dimensões de β, α, +x. Tal como  γ, matéria, vos deu o espaço, assim temos:

   1º O tempo, isto é, o ritmo, onda, unidade de medida de dimensão de β = energia.

   2º A consciência, isto é, a percepção externa, razão, análise, finito, relativo, dimensão de α, a fase vida, que se culmina no psiquismo humano.

   3º A superconsciência, isto é, a percepção interna, intuição, síntese, infinito, absoluto, dimensão de +x, a fase super-humana9.

   Assim, as dimensões sucedem-se por trindades sucessivas e contíguas, na escala progressiva da evolução: desde o ponto, até a linha, a superfície, o volume, o tempo, a consciência, a superconsciência, numa contínua dilatação de princípio. Tudo evolui. E, com os universos, também suas dimensões. Agora, podeis compreender como a abertura de uma espiral maior, produzida pela abertura de uma menor (cfr. diagrama fig. 5) não ocorre em sentido espacial, porque a dimensão muda a cada abertura de ciclo, mas no sentido da evolução que é, como dissemos, a dimensão do infinito. O infinito + e o infinito - (+ e -) que, no diagrama, aparecem com expressão espacial, têm, assim, na realidade, outro valor totalmente diferente. As dimensões aparecem e desaparecem ao progredirem. Assim, morrerá o espaço com a matéria, o tempo com a energia, a relatividade com a consciência; mas a Substância ressurgirá em formas e dimensões mais altas, assumindo sempre novas direções. Cada dimensão é relativa e, na evolução, segue uma precedente, mas vem antes de uma seguinte e existe sempre um degrau mais alto para subir, uma fase superior o aguarda. A cada salto para frente conquista-se o domínio da própria dimensão, que antes não era acessível senão sucessivamente. O campo de ação e visão dilata-se: do alto se domina o que está embaixo. Reencontramos ainda o princípio da trindade em toda a parte; nas três fases de vosso universo: matéria ( γ), energia (β), espírito (α); em seus três aspectos: estático, dinâmico, conceptual (ou mecânico); nos dois sistemas dimensionais observados: linha, superfície, volume (espaço); tempo, consciência (relativo) e superconsciência (absoluto).

 




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