Palavra de Sua Voz

A Grande Síntese - A Grande Síntese poderá também parecer-vos uma viagem do espírito; é verdadeiramente a grande viagem da alma que regressa ao seu Princípio; da criatura que regressa a Seu Criador.

Esta obra é uma epopéia da evolução do ser, desde o reino mineral, vegetal, animal, até o reino hominal e o super-humano.

Absoluto - Se o nosso relativismo nos nega a concepção do absoluto, e se o nosso antropomorfismo não pode alcançá-lo, nem por isso deixa de existir.

O relativo está contido no absoluto e não o contrário. Deus é absoluto e nós somos relativos. Só existimos porque Deus nos criou, daí o nosso relativismo.

Adiantados - A função dos mais adiantados é a de levar para a frente, consigo, os que estão mais atrás. Esta é a Lei. Não se pode subir sozinho e egoisticamente.

Agressividade - O espírito de agressividade é a primeira coisa que deve desaparecer em quem procura superar o nível animal-humano.

Alegria - A alegria do gênio é criar.

A maior ALEGRIA das almas eleitas reside precisamente no contato com Deus, na suprema embriaguez de harmonização, na fusão completa com Ele.

Alma - A alma é independente do corpo e pode assumir diversos corpos segundo o seu grau evolutivo.

É a lei da reencarnação. A Evolução da forma (corpo) acompanha a da substância (a alma).

A ALMA, como Deus, não se demonstra; é sentida e é alcançada dentro de nós mesmos por intuição.

A nossa ascensão espiritual, pouco a pouco vai desenvolvendo em nós esta nova capacidade, a intuição, que amplia a concepção de Deus e de Sua criação.

 

A Lei não cuida da conservação do fruto material, porque é o fruto espiritual que tem valor, e este fica gravado na ALMA de quem realizou o trabalho.

A lei de Deus é do Sistema e o fruto material é do Anti-Sistema. O fruto espiritual é eterno, o outro transitório.  

ALMAS, almas eu peço. Para conquistá-las vim das profundezas do infinito.

Há na ALMA humana uma necessidade instintiva de melhoramento.

Minha ALMA é uma chama que arde na noite.

Quanto mais a alma se avizinha de Deus, mais se inflama com a luz divina.

Não há que fugir: se a ALMA foi criada no momento do nascimento, deve terminar com a morte. Se não termina com a morte, deve preexistir ao nascimento.

Isso mostra que a alma é eterna. É um vai e vem de um mundo para o outro, até o seu retorno definitivo ao Sistema, a Deus.  

O despertar de uma ALMA imersa na carne, embora seja ela forte, não pode ser instantâneo.

O despertar leva à evolução e esta não dá salto.

O grito vindo do fundo da ALMA, trágico e profundo, não pode mentir.

Mentimos aos outros, temos a ilusão de mentir a Deus, mas nos momentos difíceis, a verdade brota em nós e não temos coragem de mentir a nós mesmos.

Quando é atingida a sintonização e completada a unificação, a verdade então se torna um cântico divino, uma harmonia suprema, um incêndio de amor em que a ALMA já não se sente distinta dos demais seres.  

É a unificação com Deus e com Sua criação.

Quantas ALMAS agonizam, asfixiadas pelo materialismo moderno!

O mundo material nos acorrenta a vida inteira. Por fim, observamos que fomos bons materialistas e pobres de espiritualidade, aí nos pergutamos: o que semeamos para a vida eterna?

Se é verdade que estamos imersos nas necessidades férreas do contingente, é também verdade que, no fundo da ALMA humana, há um irrefreável e insaciável anseio de subida.

A alma humana tem anseio de subir material e espiritualmente, porque nascemos para evoluir e ter o encontro com o Divino.

O paraíso não é um lugar, mas um estado d’ALMA.

O Cristo nos garantiu que o céu está dentro de nós  mesmos. Se vivemos um dia sintonizado com a Lei, em paz com a nossa consciência, este é o paraíso que Cristo nos prometeu.

Alto - Construir, construir, cada vez mais alto.

Amar - Amar espiritual e altruisticamente a Deus e em Deus o próximo, é muito diverso de amar sexual e egoisticamente a um semelhante.

Nasci sensitivo, tendo no coração, por instinto, o Evangelho; nasci para AMAR e perdoar.

Todos nós que convivemos com Pietro Ubaldi somos testemunhas desse seu propósito de vida.

 

Amor - À medida que o ser evolui, o seu amor se torna cada vez mais espiritual.

O Amor vai se transformando, ao longo da evolução, desde o amor egoísta, familiar, nacional, humanidade, altruísta até a unificação com Deus.  

A tremenda luta humana e animal se desarma comple-tamente diante da força luminosa do AMOR.

Acorrei, criaturas irmãs! Vinde alegrar-vos comigo; ajudai-me a cantar o cântico do divino AMOR!

AMOR, impulso fundamental da vida, força de coesão que rege o universo, potência divina de eterna recons-trução! Encontrá-lo-emos em toda parte sempre in-destrutível, em formas infinitas, em todos os níveis do ser.

Através do AMOR realiza-se o mistério da unificação.

Com Deus e com Sua criação.

Compreendamos bem, AMOR com A maiúsculo, o amor universal, que caminha da forma sexual à mística até atingir Deus.

Compreendei o milagre. Eu estava encerrado num castelo de dor e o castelo desmoronou-se. Eu era cego e agora enxergo. Era surdo e agora ouço. Meu coração estava comprimido em mordaça de ferro e a mordaça despedaçou-se. Estava imerso num mar de gelo e agora me acho envolto num incêndio de AMOR.

Esse é o estado de alma, quando o ser realiza o mistério da unificação com o Todo.

Cristo veio à Terra a fim de sacrificar-se por AMOR. A Sua paixão é toda um mistério de Amor.

Para penetrar nesse mistério, é preciso olhar a paixão de Cristo com os olhos do espírito, usar o referencial a Lei de Deus.

Deus é AMOR e cria no amor, em qualquer nível, desde o amor da carne, quando compreendido com pureza, elevando-se sempre, até ao amor do espírito.

Elevai-vos em AMOR, como deveis elevar-vos em todas as coisas, se quereis encontrar profundas alegrias.

Enquanto o egoísmo contrai e disseca, o AMOR dilata e cria.

Foi por AMOR que Deus quis a criatura egocêntrica, feita à Sua imagem e semelhança, co-partícipe das Suas próprias qualidades. Foi por amor que Deus quis a criatura livre, a fim de que ela livremente compreendesse e retribuisse esse amor.

Não podemos confundir o egocentrismo altruísta, qualidade positiva inerente ao ser no momento da sua criação, com o egocentrismo egoísta que a própria criatura criou para si, com seu afastamento do Sistema, de Deus.

Gerar é uma coisa séria, que leva a consequências graves e duradouras e não se pode fazer AMOR levianamente.

Aqui entra o planejamento familiar. Gerar com responsabilidade, compromisso com a evolução dos filhos.

No alto, como ponto limite da evolução humana, está o AMOR divino.

O AMOR é a estrada mestra para chegar a Deus.

O AMOR é uma função fundamental do ser, necessária à conservação da espécie, meio indispensável para os indivíduos poderem reencarnar, voltando e tornando a voltar à Terra, afim de adquirir experiências e evoluir para os supremos objetivos da vida.

O AMOR evolve do egoísmo para o altruísmo, em vastidão, profundidade, poder e alegria.

O dia em que se compreender o Evangelho, se compreenderá o AMOR ao próximo.

Por AMOR se entende espírito de sacrifício, bondade, sentimento, paciência, religiosidade, altruísmo, desinteresse, intuição etc.

Só o AMOR feito de alma pode sobreviver à morte do corpo.

Uma grande atração governa o universo por inteiro: AMOR.

Animal - A Lei da luta para seleção do mais forte serviu até agora para o animal e para o homem-animal.

Esse tipo de seleção, em tempos recuados e ainda no terceiro milênio, tende a desaparecer com o progresso da humanidade.

Devorar-se mutuamente constitui uma das maiores ocupações do ANIMAL, tanto quanto para o homem fazer a guerra.

Em níveis evolutivos diferentes, o animal e o guerreiro são vorazes.

Entre a planta, o ANIMAL e o homem só existe a diferença devida ao caminho maior ou menor que foi percorrido, evolutivamente.

O homem é ANIMAL, mas no entanto tem fome de subir.

Se eu posso errar muito mais do que o ANIMAL, porque sou livre, também sofrendo posso aprender muito mais do que ele, através de lições que de modo algum o animal pode conhecer.

Animalidade - A animalidade está fincada com os quatro pés no terreno sólido da matéria, na qual se apóia há milhões de anos.

Desprender-se dessa animalidade, eis a grande dificuldade que encontramos. Os instintos ainda nos seguram e nos impedem de avançar mais rapidamente. Isto não é motivo de desânimo e sim um incentivo a lutar.

A passagem da ANIMALIDADE à super-humanidade significa também profundo amadurecimento do fenômeno social em todas as suas manifestações.

A evolução acontece em todos os seguimentos da sociedade: ética, moral, religiosa, científica, filosófica, econômica, financeira etc.

No plano humano o Sistema é representado pelas leis da ética, e o Anti-Sistema pelos instintos da ANIMALIDADE.

Tenho agarrado pela garganta as inferiores leis biológicas da ANIMALIDADE.

Até Pietro Ubaldi teve de lutar bravamente contra as leis biológicas da animalidade. O que devemos fazer?

Anjo - Para poder transformar os demônios em anjos, os anjos devem misturar-se com eles sem deixar por isso de ser anjos.

Ser anjo vivendo entre os anjos é fácil, difícil é fazer o que Cristo fez, descer da sua angelitude à Terra e não deixar de ser anjo. Ele é nosso modelo.

Se no homem ainda sobrevive a besta, já existe em germe o ANJO.

Anti-Sistema - O Anti-Sistema representa a nega-tividade e os impulsos deste tipo, ou seja: a morte, a ignorância, o ódio, a separatividade, a desordem, a revolta, o sofrimento etc, são contrários as qualidades do Sistema que representam a positividade.

Armas - Vossas armas de conquista devem ser: retidão, bondade, sacrifício, amor.

Arte - A arte será o altar das ascensões humanas, onde o espírito se oferece em holocausto de dor e paixão em elevação para Deus; será a oração que une a criatura ao Criador, a síntese de todas as aspirações da alma, de todas as esperanças e ideais humanos.

Esta é a Arte voltada para Deus, que contribui para a evolução da humanidade.

É a sublime Arte de saber viver neste mundo sem contaminar-se com ele, abrindo caminho à ascensão espiritual. É a criatura que retorna ao Criador.

A ARTE será mais legítima se cumprir a função de transportar o céu para a terra.

Qualquer arte ligada apenas a este mundo, revela somente um lado da moeda, enquanto a divina revela os dois. Michelângelo, Giotto, Bach, Beethovem e tantos outros transportaram o céu à Terra.

A grande ARTE é simples. Sua grandeza é proporcional à potência do pensamento e à simplicidade da forma.

Ascensão - A ascensão espiritual é feita pela desmate-rialização exterior; tal sublimação da alma implica nas transformações íntimas da matéria.

Se queremos evoluir mais rápido, devemos libertar-nos da matéria e nos ligarmos mais aos problemas do espírito. Transformar nossa vida material em espiritual.

A escada da ASCENSÃO não se sobe senão degrau por degrau, solidificando antes as bases.

Do protozoário ao homem, da célula ao mais complexo organismo, é sempre idêntica essa febre de ASCENSÃO, essa vontade indestrutível de viver.

Do protozoário ao super-homem, todos têm anseios de viver e de evoluir. Uns por instintos, outros conscientemente, cada um no seu nível.

Escutai e purificai-vos, para que tudo seja ASCENSÃO.

O futuro biológico dos povos não está apenas no progresso econômico, social, científico, cultural, mas sobretudo na ASCENSÃO espiritual e moral.

Ateísmo - O ateísmo não é contra Deus, mas somente um anticlericalismo, isto é, contra a concepção eclesiástica de Deus.

Poder-se-ia dizer que o ATEÍSMO representa uma das provas da existência de Deus. O ateísmo é uma negação que presume afirmação, só em função dela pode existir.

Ateu - É melhor a sinceridade do ateu, do que a religião da hipocrisia.

O ATEU, negando Deus, nega-se a si próprio. Deus não pode ser atingido pela negação do ateu.

Ato - No lento transcurso dos séculos, repetimos os nossos atos e assimilamos-lhes as consequências.

Qualquer ATO nosso é semente e, por isso, substan-cialmente se repete.

Colhemos hoje a semeadura de ontem, ao mesmo tempo estamos semeando para colhermos amanhã. Esta semeadura é feita pelos nossos atos.

VIDA E OBRA DE PIETRO UBALDI

(SINOPSE)

FORMAÇÃO CULTURAL

   Pietro Ubaldi, filho do casal Lavínia e Sante Ubaldi, nasceu em 18 de Agosto de 1886, às 20:30h de Roma. Nasceu em terras franciscanas, na cidade de Foligno, Província de Perúgia (Capital da Úmbria). Foligno fica a 18km de Assis, cidade natal de S. Francisco de Assis. Até hoje, as cidades franciscanas guardam o mesmo misticismo legado ao mundo pelo grande poverelo de Assis, que viveu para Cristo, renunciando os bens materiais e os prazeres deste mundo.

   Pietro Ubaldi sentiu desde a infância uma poderosa inclinação pelo franciscanismo e pela Boa Nova do Cristo. Não foi compreendido, nem poderia sê-lo, porque seus pais viviam felizes com a riqueza e com o conforto proporcionado por ela. A Senhora Lavínia era descendente da nobreza italiana, única herdeira do título e de uma grande fortuna, inclusive do Palácio Alleori Ubaldi. O místico da Úmbria foi, então, educado com os rigores de uma vida palaciana.

   Como poderia ser fácil a um legítimo franciscano viver num palácio? Naturalmente, sentiu-se deslocado naquele ambiente, um ex-patriado de seu mundo espiritual. A disciplina no palácio, aceitou-a facilmente. Todos deveriam seguir a orientação dos pais e obedecer-lhes em tudo, até na religião. Tinham de ser católicos, praticantes dos atos religiosos na capela da Imaculada Conceição, no interior do Palácio. Pietro Ubaldi foi sempre obediente aos pais, aos professores, à família e, em sua vida missionária, a Cristo.

   Formou-se em Direito (profissão escolhida pelos pais, mas jamais exercida por ele) e em Música (oferecimento, também de seus genitores), fez-se poliglota, para comunicar-se com outros povos — falava, fluentemente, inglês, francês, alemão, espanhol, português, conhecia  latim e grego. Mergulhou nas diferentes correntes filosóficas e religiosas, destacando-se como um grande pensador cristão do século XX. Era um homem de uma cultura invejável, o que lhe facilitou o cumprimento da missão. A sua tese de formatura na Universidade de Roma, foi sobre a Expansão Colonial e Comercial da Itália para o Brasil, muito elogiada pela banca examinadora e publicada, em 1911, num volume de 266 páginas pela Editora Ermano Loescher & Cia, de Roma (Itália). Após a defesa dessa tese, o Sr. Sante Ubaldi lhe deu como prêmio uma viagem aos Estados Unidos, durante seis meses.

LIBERDADE

   Nem todas as obrigações palacianas lhe agradavam, mas ele as cumpriu até a sua total libertação. A primeira liberdade se deu aos cinco anos, quando solicitou de sua mãe que o mandasse à escola, e aquela bondosa genitora atendeu o pedido do filho. A segunda liberdade, verdadeiro desabrochamento espiritual, aconteceu no ginásio, ao ouvir do professor de ciência a palavra "evolução". "Minha primeira revelação interior me foi feita ao ouvir meu professor de ciências, no Liceu, proferir a palavra "Evolução". Meu espírito teve um sobressalto; brotara ao vivo uma centelha, sentira uma idéia central. Tornei-me, a seguir, estudioso de Darwin, mas só para completar seu pensamento". Outra grande liberdade para o seu espírito foi a leitura de livros sobre a imortalidade da alma  e sobre a reencarnação, tornando-se reencarnacionista, aos vinte e cinco anos, dito por ele numa alocução, em 5 de outubro de 1951, na Federação Espírita do Estado de São Paulo:  "Por acaso — digo acaso, mas por certo era obra da Providência — caiu em minhas mãos O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. Eu era jovem, desorientado, não tinha, ainda, passado pela experiência dos grandes problemas da vida. Li com grande interesse e vos confesso que, em certo ponto, exclamei: achei!... Eureka! Poderia ter eu repetido: encontrei, encontrei finalmente a solução que procurava e que me esclareceu!

   Ela foi a primeira semente que deu origem ao meu adiantamento espiritual e daquele dia em diante se foi tecendo a trama luminosa no esclarecimento de tal forma que, ampliando-se, ele penetrou a ciência, a filosofia, a religião, os problemas sociais e os problemas de todo o gênero.

   Devo, entretanto, confessar-vos precisamente aqui, nesta noite e neste local, que a Allan Kardec devo a primeira orientação e a solução positiva do problema mais complexo que, mais de perto, interessava-me, considerando minha condição de ser humano". (...)

   Daí por diante, os dois mundos, material e espiritual, começaram a fundir-se num só. A vida na Terra não poderia ter outra finalidade, além daquela de servir a Cristo e ser útil aos homens.

RENÚNCIA FRANCISCANA

   Pietro Ubaldi casou-se aos vinte e cinco anos, seguindo  orientação dos pais que escolheram para ele uma jovem rica e bonita, possuidora de muitas virtudes, além de fina educação. Como recompensa pela aceitação  da escolha, seu pai transferiu para o casal um patrimônio igual àquele trazido pela Senhora Antonieta Solfanelli Ubaldi. Este era, agora, o nome da jovem esposa. O casamento não estava nos planos de Ubaldi, somente justificável porque fazia parte de seu destino. Ele girava em torno de outros objetivos: o Evangelho e os ideais franciscanos. Mesmo assim, do casal Antonieta e Pietro Ubaldi nasceram três filhos: Franco (morto em 1942, na Segunda Guerra Mundial), Vicenzina (desencarnou aos dois anos de idade, em 1919), e Agnese (falecida em S. Vicente (SP) — 1975).

   Aos poucos, Pietro Ubaldi foi abandonando a riqueza, deixando-a por conta do administrador, Ettore Seste Pacini. Após quinze anos de enlace matrimonial, em 1927, com a desencarnação de seu pai, fez voto de pobreza, transferindo à família os bens que lhe pertenciam. Aprovando aquele gesto de amor ao Evangelho, Cristo lhe apareceu. Isso para ele foi a maior confirmação à atitude tomada. Em 1931, Pietro assumiu uma nova postura, estarrecedora para seus familiares: a renúncia franciscana. Daquele ano em diante iria viver com o suor do seu rosto e renunciava todo o conforto proporcionado pela família e pela riqueza material existente. Fez concurso para professor de inglês, foi aprovado e nomeado para o Liceu Tomaso Campailla, em Módica, Sicília — região situada no extremo sul da Itália — onde trabalhou somente um ano letivo. Em 1932 fez outro concurso e foi removido para a Escola Média Estadual Otaviano Nelli, em Gúbio, ao norte da Itália, e ficou mais próximo da família. Nessa urbe, também Franciscana, trabalhou durante vinte anos e fez dela a sua segunda cidade natal, vivendo num quarto humilde de uma casa, pequena e pobre — pensão do casal Norina-Alfredo Pagani — Via della Cattedrale, 4/6, situada na encosta de um grande monte.

O MISSIONÁRIO NA ITÁLIA

   Na primeira semana de setembro de 1931, depois da grande decisão franciscana, Cristo novamente apareceu a Pietro Ubaldi, desta vez acompanhado de Francisco de Assis. O primeiro à direita e o segundo à esquerda, fizeram-lhe companhia durante vinte minutos em sua caminhada matinal, na estrada de Colle Umberto, Perúgia. Estava, portanto, confirmada sua posição.Vejamos a cena descrita por ele:

   "Numa tranquila paisagem campestre da Úmbria franciscana, próxima de Perúgia, um homem de 45 anos subia sozinho a doce inclinação de uma colina. Aquela manhã radiosa estava perto de 14 de setembro, dia em que São Francisco, em 1224, recebeu os estigmas no monte Alverne. (...)

   Estava caminhando quando duas formas paralelas se delinearam. Isto durou cerca de vinte minutos, pelo que teve tempo de controlar tudo e de fixá-lo na memória, para depois analisar o fenômeno com a psicologia racional, positiva, independente de estados emotivos. (...)

   Continuou a observar. As duas formas não constituíam só uma indefinida manifestação de presença. Cada uma delas transmitia à percepção interior uma típica e individual vibração que a definia como pessoa. Foi assim que ele pôde logo sentir com clareza inequívoca que à sua esquerda estava a figura de São Francisco e à sua direita a de Cristo. (...)

   A visão, no entanto, ficou indelével, gravada a fogo naquela alma, como uma queimadura de luz, uma ferida de amor que jamais o tempo poderá cancelar, feita de saudade, de uma contínua e angustiante espera para reencontrar-se."

   Mais detalhes no livro Um Destino Seguindo Cristo, capítulo I.

   Em 25 de dezembro daquele ano, chegou-lhe, de improviso, a primeira mensagem de Cristo, Sua Voz, a "Mensagem de Natal". Por inspiração, ele sentiu que estava aí o início de sua missão. Outras Mensagens surgiram em novas oportunidades, dentro de um plano preestabelecido pelo Alto, todas com a mesma linguagem e conteúdo divino.

   No verão italiano de 1932, começou a escrever A Grande Síntese, concluída em 23 de agosto de 1935, às 23:00 horas de Roma. Esse livro, com cem capítulos, escrito em quatro verões sucessivos, foi traduzido para vários idiomas. Somente no Brasil já alcançou vinte edições. Outros compêndios, verdadeiros mananciais de sabedoria cristã, surgiram nos anos seguintes, completando os dez volumes escritos na Itália. Esta parte da Obra é composta de:

   Grandes Mensagens,

   A Grande Síntese — Síntese e Solução dos Problemas da Ciência e do Espírito,

   As Noúres — Técnica e Recepção das Correntes de Pensamento,

   Ascese Mística,

   História de Um Homem,

   Fragmentos de Pensamento e de Paixão,        

   A Nova Civilização do Terceiro Milênio,

   Problemas do Futuro,

   Ascensões Humanas,

   Deus e Universo.

O MISSIONÁRIO NO BRASIL

   O Brasil é a terra escolhida para ser o berço espiritual da Nova Civilização do Terceiro Milênio. Aqui vivem diferentes povos irmanados, independentes de raças ou religiões que professem. Ora, Pietro Ubaldi exerceu um ministério imparcial e universal, por isso, o destino quis  trazê-lo para cá e aqui completar sua tarefa missionária.

   Nesta terra do cruzeiro do sul, ele esteve em 1951 e realizou dezenas de conferências de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Em 8 de dezembro do ano seguinte, desembarcaram, no porto de Santos, Pietro Ubaldi e sua esposa acompanhados da filha e duas netas (Maria Antonieta e Maria Adelaide), atendendo a um convite dos amigos de S. Paulo para virem morar neste imenso país. É oportuno lembrar que Pietro Ubaldi renunciou os bens materiais, mas não os deveres para com a família, que se tornou pobre porque o administrador, primo de sua esposa, dilapidou toda a riqueza a ele entregue para gerenciá-la.

   Em 1953, retornou à sua missão apostolar, continuou a recepção dos livros e recebeu a última Mensagem, "Mensagem da Nova Era", do livro Grandes Mensagens, em S. Vicente (SP), no Edifício "Iguaçu", na Av. Manoel da Nóbrega, 686 — apt.º  92. Dois anos depois, transferiu-se, com a família, para o edifício "Nova Era" (coincidência, nada tem a ver com a Mensagem escrita na residência anterior), na praça 22 de janeiro, 531 — apt.º 90. Em seu quarto-escritório, neste apartamento, completou a sua missão — a segunda parte da Obra, chamada brasileira, porque escrita no Brasil:

   Profecias,

   Comentários,

   Problemas Atuais,

   O Sistema — Gênese e Estrutura do Universo,

   A Grande Batalha,

   Evolução e Evangelho,

   A Lei de Deus,

   A Técnica Funcional da Lei de Deus,

   Queda e Salvação,

   Princípios de Uma Nova Ética,

   A Descida dos Ideais,

   Um Destino Seguindo Cristo,

   Pensamentos,

   Cristo.

   Escritores católicos, espiritistas, espiritualistas, filósofos, poetas e cientistas  prestaram homenagens a Pietro Ubaldi e à Sua Obra. Dentre eles, destacamos: Ernesto Bozzano, Marc‘Antonio Bragadin, Antonio D‘Alia, Gino Trespioli, Paolo Soster, Enrico Fermi, Riccardo Pieracci, Franco Lanari, Paola Giovetti, Moris Ulianich, Antonio Pieretti, Monsenhor Mario Canciani, Padre Antony Elenjimittam, Dario Schena Sterza, Padre Ulderico Pasquale Magni, Albert Einstein, Isabel Emerson, Gaetano Blasi, Maurice Schaerer, Humberto Mariotti, F. Villa, Guillon Ribeiro, Carlos Torres Pastorino, Canuto de Abreu, Clóvis Tavares, Medeiros Corrêa Júnior, Monteiro Lobato, Rubens C. Romanelli, Emmanuel, Augusto dos Anjos, Cruz e Souza etc. A Obra de Pietro Ubaldi, sem dúvida alguma, descortina outros horizontes a uma nova concepção de vida. O seu conteúdo é a revelação cristalina da "Boa Nova" neste século e para o terceiro milênio.

DESENCARNAÇÃO DE PIETRO UBALDI

   S. Vicente (SP), célula máter do Brasil, foi a terceira cidade natal de Pietro Ubaldi. Aquela cidade praiana tem um longo passado na história de nossa pátria, desde José de Anchieta e Manoel da Nóbrega até Pietro Ubaldi que viveu ali o seu último período de vinte anos. O Mensageiro de Cristo, intérprete de "Sua Voz", previu o dia, mês e ano do término de sua Obra — Natal de 1971 — com dezesseis anos de antecedência, em seu livro Profecias. Ainda profetizou que sua morte aconteceria logo depois dessa data. Tudo confirmado. Desencarnou no Hospital S. José, em S. Vicente, quarto nº 5, à 0:30 hora, em 29 de fevereiro de 1972. Saber quando vai morrer e esperar, com alegria, a chegada da irmã morte, são privilégios de poucos... O arauto da Nova civilização do espírito foi um homem privilegiado.

Natal de 1996

                                  José Amaral

PALAVRA DE SUA VOZ

Por que esse título para uma obra de profunda reflexão?

A Lei escolheu Pietro Ubaldi para ser o mensageiro de Sua Voz. Tudo começou no Natal de 1931, quando a Mensagem do Natal lhe foi ditada. Pelas vibrações e pelo conteúdo, Pietro Ubaldi reconheceu a origem da Mensagem que lhe chegava às mãos e a fonte que a transmitia, não através da razão, mas da intuição. Da mesma fonte recebeu mais seis MENSAGENS e a A Grande Síntese. A presença de Sua Voz se tornou constante e familiar. Sustentou-o a vida inteira, sempre encorajando-o ao cumprimento da missão. Vieram os demais livros, escritos na Itália, até Deus e Universo. A missão continuou aqui no Brasil até Cristo, o último, 24º volume. Do Natal de 1931 até o Natal de 1971, foram  40 anos ininterruptos de vida missionária.

As duas vontades (Pietro Ubaldi e Sua Voz) se interpenetram, numa verdadeira simbiose. Há momentos que fala Sua Voz, há outros que Pietro Ubaldi se pronuncia, não importa, a fonte é sempre a mesma. Daí a origem do título: PALAVRA DE SUA VOZ - Reflexões sobre a Obra de Pietro Ubaldi.

Este livro foi compilado para nossas reflexões diárias, a fim de nos voltarmos, também, para os problemas do espírito que está ansioso para ascender a planos mais altos. Cada página tem, pelo menos, um pensamento que tocará na alma de quem for ao seu encontro. Servirá, também, para pesquisas e conferências. Assim, é um bálsamo de conforto espiritual para quem estiver em aflição, é um manancial de sabedoria para o pesquisador que busca novas aprendizagens no campo do conhecimento humano e divino, é um roteiro seguro para o conferencista preparar suas alocuções ou fazer citações nos temas abordados.

Este volume teve origem na monumental Obra de Pietro Ubaldi. Muitos, durante tantos anos, sentiram a necessidade de um roteiro que pudesse encontrar, com facilidade, determinada reflexão sobre amor, alma, consciência, criação, Cristo, ciência, destino, determinismo, Deus, dor, egoísmo, espírito, ética, evolução, Franciscanismo, humanidade, imortalidade, indivíduo, inferno, inteligência, justiça, Lei de Deus, liberdade, medicina, misticismo, monismo, moral, natureza, paraíso, pobreza, progresso, propriedade, reencarnação, religião, sexo, universo, verdade, vida e tantos outros assuntos de palpitante interesse, que estão à disposição do leitor.

Para achar a origem de cada reflexão, basta ir no final deste volume com o número da página, lá se encontra nesta ordem:

Número da página (1ª coluna), número da reflexão (2ª coluna) e número do livro, do capítulo e do parágrafo (3ª coluna), aos quais ela pertence.

Muitos companheiros colaboraram para que Palavra de Sua Voz viesse a lume, foi uma equipe que trabalhou na seleção dos pensamentos e na revisão deste livro. Queremos enriquecê-lo ainda mais nas próximas edições, por isto aceitamos mais sugestões.

Para uma obra de profundo contéudo espiritual ser publicada, é preciso a colaboração de um punhado de pessoas que no anonimato trabalham sem qualquer tipo de recompensa, são os altruístas que se sacrificam pelo ideal, evoluem e ajudam a humanidade a evoluir.

O Instituto Pietro Ubaldi sabe que existe um grande número de colaboradores preocupados com a divulgação da Obra de seu patrono. Estão espalhados em toda parte, executando a importante tarefa de levantar bem alto a tocha da sabedoria, do amor e da verdade que ela nos revela.

Quanto esforço e sacrifício na organização e realização dos Congressos! Participamos, adimiramos, deleitamo-nos e nos curvamos diante de tantas revelações. Isto é bom e faz bem a alma, todavia, às vezes, nem conhecemos os responsáveis pelo sucesso do evento. Eles são os trabalhadores anônimos.

Existem neste imenso país grupos estudando a Obra sem qualquer tipo de sectarismo ou proselitismo, ao contrário, estão aplicando os dois princípios fundamentais da Obra: imparcialidade e universalidade. Estes grupos também vivem no anonimato e estão se enriquecendo espiritualmente e distribuindo a luz aos demais companheiros.

A todos, indistintamente, O Instituto Pietro Ubaldi rende o maior preito de imensa gratidão.  

Campos dos Goytacazes, 18 de agosto de 2001.

Coordenadoria




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