"S. Vicente, 7 de outubro de 1960.

Nazarius,

Congratulações por ter passado no exame e conseguido o título de Professor de Matemática Industrial. As coisas vão sempre melhorando.

Já sabia do trabalho do Prof. Medeiros em sua cidade. Ele me escreveu há poucos dias. É bom que isto aconteça para o bem de todos.

Felicitações a seu pai pelo sucesso na operação de catarata. Aqui continuamos lutando com o problema da doença de minha esposa.

Estou envelhecendo e caminhando para o outro lado da vida; estou saindo, enquanto você, agora, está entrando. Tanto trabalho me cansa e desejaria ficar sozinho descansando, atualmente é coisa difícil.

Também eu seria merecedor, como você, de um pouco de repouso. Mas para mim não há. O meu chegará daqui a alguns anos e por muito tempo.

A vida aqui encareceu duma forma incrível.

Campos do Jordão está cheia de boas recordações, o ar mais puro, mas minha Sra. não pode subir a serra devido ao seu coração e a sua pressão.

Deus o proteja sempre. Seja feliz em todo o caminho de sua vida.

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

No período universitário de Nazarius, seu pai teve dois problemas de saúde: o primeiro, doente dos pulmões, recuperou-se rapidamente; o segundo, um acidente na vista esquerda que o deixou totalmente cego; pouco tempo depois surgiu uma catarata na direita e não tinha recursos para operação. Nazarius recorreu ao hospital da Universidade e foi operado gratuitamente, por um oftalmologista famoso, Dr. Paulo Filho. A recuperação foi rápida e ficou curado, enxergando somente com uma vista. Tinha 61 anos de idade.

Mais tarde, com 80 anos ficou totalmente cego do olho direito. Todos os médicos foram unânimes em dizer que a medicina não tinha solução para o seu caso. Além da cegueira, não teve mais qualquer outro tipo de doença grave.

É saudável lembrar um fato interessante na sua desencarnação, ocorrida em 17 de dezembro de 1991, partiu deste mundo com 92 anos de idade.

Sempre encarou a vida com muita seriedade e retidão de espírito. Era honesto por natureza e muito trabalhador. Gostava, tinha imenso prazer, em ser útil a alguém. Enquanto pôde e tinha visão, trabalhava na chácara, plantando suas hortaliças. Por fim, só plantava para consumo dos filhos, todos casados. Quando ficou viúvo dividiu a chácara com os filhos, nada quis em seu nome, apenas o direito de morar na velha casa, no centro da chácara e plantar nos terrenos que pertenciam a seus herdeiros. Era desprendido ao extremo, verdadeiro franciscano de alma e coração. Cego, costumava dizer que não estava sendo útil a ninguém, Deus poderia chamá-lo a qualquer momento e ele estaria sempre pronto para deixar este mundo. Mesmo assim escolheu uma atividade: tinha paciência de levar uma hora orando pela manhã e outra à noite, logo depois de ouvir a reportagem das vinte horas, pela televisão. Certa ocasião, Nazarius lhe perguntou porque levava tanto tempo orando, ele respondeu: oro por vocês todos, pelos familiares encarnados e desencarnados, pelos conhecidos, pelos doentes e presos, citou os versículos do Evangelho, quando Jesus disse: “estive doente e não fostes visitar-Me, preso e não fostes ver-Me, nu e não me vestistes, e os discípulos Lhe perguntaram, quando? Ele respondeu: toda vez que fizerdes a um destes pequeninos é a mim que fizestes.”

Três dias antes da sua desencarnação, sua saúde se complicou e foi internado imediatamente no Hospital dos Plantadores de Cana de Açúcar, em Campos; teve toda assistência médica e hospitalar. À meia noite do dia 17 sentiu uma dor muito forte no peito e falou para seu filho Benedito que lhe fazia companhia: chama o médico. Imediatamente, Benedito solicitou a presença da enfermeira que telefonou a seu médico, estava em um apartamento do hospital. A seguir melhorou um pouco e estas foram suas últimas palavras: “Está doendo tanto, mas seja o que Deus quiser” e desencarnou. Talvez recordando aquelas últimas palavras de Jesus no Getsêmani, gravadas em seu subconsciente: “Meu Pai, se for possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como Tu queres.”

Que belo exemplo deixou para os seus filhos: uma vida dentro do Evangelho, com muito trabalho e muita compreensão diante da dor e da morte!

 




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