"Recife, setembro de 1955."

Nazarius,

Escrevo-lhe esta já no meio da viagem. Saí no dia 3 de setembro, estou cumprindo o milagre pois em vinte e cinco dias faço vinte conferências: Recife (Pernambuco), João Pessoas (Paraíba), Natal (Rio Grande do Norte), talvez vá a Belém (Pará) e depois volte ao estado de Alagoas, Sergipe, etc. Estou falando em português. Cada conferência levo duas horas, porque tenho que receber os cumprimentos e responder a todos. Nessa idade, é um grande esforço.

No meio de tanto trabalho, sempre acho tempo para escrever e explicar o que está acontecendo. Às vezes o cansaço me dá tristeza, mas a satisfação é maior pelo bem que estou construindo. Deus nos pedirá prestação de contas pelo bem que temos feito ao próximo, pela utilidade de nossa vida para os outros. Quem vive só de renúncia, não faz nada pela salvação do mundo.

A sua fé fracassou porque era muito fraca. Não é bom pretender que nossa fé esteja apoiada nas obras dos outros, mas deve ser obtida pelas nossas obras.

Guardei esta carta para colocar no correio, com outras notícias, quando chegar a S. Vicente.

Hoje, dia 30, cheguei de Recife, foram sete horas de avião. Estou cansadíssimo. Encontrei suas três cartas, que me trouxeram muito conforto espiritual.

A primeira coisa que faço é escrever-lhe, transmitindo minhas notícias, que são boas apesar do cansaço.

Deus o abençoe.

Pietro Ubaldi"

COMENTÁRIO

Numa carta que enviou de Recife (não divulgada), falou da hospitalidade e bondade do povo nordestino. “Esta é uma região pobre, mas muito receptiva. Todos estão muito atentos nas conferências. É uma gente hospitaleira.”

Se a finalidade era divulgar a Obra, Pietro Ubaldi estava sempre disposto, desde que a saúde permitisse. Tinha consciência de sua velhice, mas a missão estava em primeiro lugar. Quase um mês de trabalho no Norte e Nordeste, vivendo em outro ambiente e convivendo com pessoas de hábitos diferentes, estava satisfeito apesar de reconhecer: “É muito cansativo para mim, mas faz parte do meu trabalho e devo cumprir o meu dever.”

O povo nordestino e do Norte, até hoje é um povo sofredor, porém muito hospitaleiro. O brasileiro, de um modo geral, tem bom coração. Se um grupo é perverso, é um caso isolado, não o povo que está sempre pronto a ajudar. Ubaldi sempre soube separar o joio do trigo.

Naquele ano de 1955, Pietro Ubaldi, esquecendo as ofensas recebidas, escreveu um belo capítulo em seu Profecias, intitulado: “A Função Histórica do Brasil no Mundo”.

“O Brasil personifica a função biológica ou missão de pacifismo no mundo. Quem é verdadeiramente honesto, não vai a cada passo apregoar sua honestidade. Os não honestos procuram esconder sua verdadeira face para defender-se. Assim, o povo verdadeiramente pacífico e pacifista é o que menos se faz paladino oficial de pacifismo e faz menos campanhas publicitárias com esse escopo. O Brasil é assim. Pacifista até o âmago, naturalmente, não precisa fazê-lo muito, porque o é. Ora, se aplicarmos a esta nação os conceitos expostos na Obra, poderemos dizer que, na direção do pacifismo, o Brasil personifica uma força em ação, segundo a vontade de Deus e da História.”

Nove anos depois, os militares subiram ao poder no golpe mais triste de nossa história e não houve derramamento de sangue. O povo não se rebelou, aceitou pacificamente, como se estivesse apenas mudando o sistema de governo, confirmando, assim, a teoria exposta em Profecias.

 




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