A Grande Batalha

O presente livro é o primeiro da segunda Trilogia da minha II Obra de 12 volumes, que chamei de brasileira porque escrita no Brasil depois da minha chegada a este pais no fim de 1952, enquanto que chamei de italiana à minha I Obra, também de 12 volumes, que foi escrita na Itália e depois traduzida para o português.


Esta II Obra se iniciou com o volume: Profecias, já  publicado, que começa com uma Introdução intitulada: “Gênese da II Obra”. Aí o leitor poderá ver como nasceu esta nova obra, no meu primeiro período de vida brasileira. Esta foi para mim uma experiência importante, a da descida no mundo para entrar em contato com a realidade da vida, uma realidade dura, num aspecto que ainda não conhecia. Então e mundo me apareceu, não o que ele deveria ou poderia em teoria ser, mas como ele verdadeiramente é. Deste estado nasceu um choque, e do choque nasceram reações, centelhas de pensamento e situações espirituais que resumi neste volume: A Grande Batalha.


A tempestade da qual nasceu este livro foi a dos anos de 1953, ‘54, ‘55, os meus primeiros três anos brasileiros. Ela foi contada na referida Introdução ao volume: Profecias, assinada: Natal de 1955. Neste período foram escritos os livros: Profecias e Problemas Atuais. No ano de 1956 foi escrito o livro: O Sistema.


O    volume atual: A Grande Batalha e o que se lhe segue: Evolução e Evangelho nasceram no ano de 1957. Só então, depois de acalmado aquele período de luta, foi possível meditar sobre esta experiência para dela compreender o significado moral e tirar o fruto espiritual. Na hora dura da tempestade não era possível tomar senão notas apressadas, correndo atrás dos acontecimentos, porque presos nas necessidades materiais da luta. Só depois, no ano de 1957, foi possível organizar num livro os rápidos rascunhos de conceitos, surgidos na mente como lampejos de um pensamento que só agora se revelava em unidade, conceitos fundidos pela lógica do seu desenvolvimento. Só depois de ter esgotado o assunto básico do volume: O Sistema, desenvolvendo a teoria da queda e resolvendo os problemas fundamentais, era possível entrar no terreno prático do controle experimental das conseqüências e aplicações: para estudar e compreender o sentido profundo da experiência vivida, julgando com mais serenidade e saindo dos limites do caso particular, para atingir o entendimento do seu valor universal.


Este livro, A Grande Batalha, foi iniciado, exatamente, em janeiro de 1957, seguido, ainda neste ano pelo Evolução e Evangelho. O segundo, terminado nos primeiros meses do ano de 1958, completa o primeiro. Logo depois, na Páscoa deste ano, foi iniciado em S. Paulo um curso de dois meses, sobre este volume.


A respeito desta obra, repito as palavras da referida Introdução em Profecias: "A nossa finalidade é dar uma lição útil de moral. Este trabalho será executado em duas fases. A primeira mais breve, representada pelo presente capítulo (Introdução), para explicar um caso vivido e suas conseqüências.  Segue-se a segunda, mais ampla, na qual com a mesma finalidade será demonstrada e desenvolvida sobre bases experimentais a teoria da defesa com o método evangélico da não resistência e da luta travada sem armas humanas, mas somente com o potencial do conhecimento e da bondade. Esta segunda fase será desenvolvida no volume A Grande Batalha.


Aqui está o livro para cumprir aquela promessa. Assim aqueles choques foram providenciais porque geraram no meu trabalho uma renovação, porque dirigiram o meu pensamento para o terreno pratico da conduta humana, orientando-a com uma ótica inteligente e racionalmente demonstrada, positiva, levada em contato com a realidade biológica, em que o homem aparece como de fato o é, e não como sonha ou desejaria que fosse. Continuamos assim a desenvolver, em forma mais pratica e aderente a realidade, a nossa tarefa de preparar a formação de um mundo novo baseado nos valores espirituais.


A luta aqui explicada, foi vivida por um homem sem os recursos do mundo, materialmente desprovido, armado só dos poderes espirituais do amor evangélico, sozinho, contra um mundo poderoso no seu plano, bem armado com os recursos da força e da astúcia. Neste livro estudamos o desenvolver-se desta luta, experiência que aqui se dilata adquirindo um significado universal, porque ele não representa senão um caso particular, mas positivamente vivido, do fenômeno cósmico da luta entre os dois termos do dualismo universal, os dois pólos opostos do existir: espirito e matéria, bem e mal, positividade e negatividade, Deus e anti-Deus, Sistema e Anti-Sistema. Esta é a titânica luta do homem evangélico que enfrenta o mundo. Veremos, frente a frente, as armas do espírito e as da matéria, quais são as mais poderosas e quem no um é o vencedor.


Assim as teorias dos livros: A Grande Síntese, Deus e Universo e O Sistema estão sujeitas a controle experimental que as confirmara, constituindo, por fim, no conjunto um todo orgânico único em que os princípios gerais resultam confirmados e fortalecidos, porque provados até as suas últimas conseqüências práticas, num mesmo plano geral em que se manifesta a Lei que é o pensamento de Deus. Por isso aqui foi possível desenvolver e dar explicação e aplicação as afirmações de A Grande Síntese nos capítulos XLII; "A nossa meta, a nova lei", e XCI: "A lei social do Evangelho".


Desse modo o resultado da luta contra o mundo foi o de atingir a finalidade demonstrativa no terreno pratico, com um exemplo vivido, em que o, espírito é mais forte que a matéria, e o Evangelho é o método mais poderoso para vencer; no plano teórico, as provas experimentais confirmam a verdade das teorias sustentadas nos meus livros. Aqui já estamos longe dos sofrimentos pessoais da luta. O problema se afasta do caso particular. Aqui subimos num plano mais alto e universal, que é o do triunfo do espirito e, com a vitória, o do seu domínio sobre a matéria. Não nos interessa mais a história dos choques e dores humanas, mas a do triunfo do Evangelho. Só frisamos rapidamente a primeira parte humana na referida Introdução ao volume: Profecias. Agora nos interessa mais de perto mostrar a parte positiva, criadora, que prova a superioridade e o vitorioso poder das forças espirituais. Então o que aconteceu foi bom, também sofrimentos e provas são úteis e podem gerar bons frutos, tudo esta na mais perfeita ordem, porque é dirigido por Deus, perfeição que aparece quando colocarmos cada coisa no seu devido lugar.


Para mim o maravilhoso resultado experimental foi o de aproximar-se cada vez mais da presença de Cristo, uma presença viva, percebida seja no desenvolver-se dos acontecimentos por Ele dirigidos, seja como sensação da Sua vizinhança espiritual. O resultado mais tangível destes choques foi uma renovação de pensamento, um contato mais vivo e direto com a fonte da inspiração e com isso uma nova Obra de 12 volumes mais. Assim tudo se resolveu na continuação lógica do inviolável plano preestabelecido, que a Sua Voz me havia anunciado antes da minha saída da Itália para eu desenvolver no Brasil. Chegava assim o selo da confirmação de todo o passado, demonstrando com isso que nada estava errado, porque aquele impulso originário de Sua Voz, com o fato de conhecermos agora o triunfo de todos os obstáculos, dava a prova concreta de sua verdade, com um exemplo positivo de vitória.


O mundo que estava olhando precisava de um exemplo concreto, realizado nos fatos, em que as teorias encontrassem aplicação num teste, saindo vencedoras. Dentro do próprio ambiente humano, em que vale só o mais forte que vence, era necessário demonstrar, com os fatos, que Cristo é o mais forte. Era necessário um exemplo, mas um exemplo de vitória, porque o homem aceita que seja verdade só o que haja dado prova de saber vencer, e por isso o segue De outro modo o despreza. Explica-se assim como o cristianismo precisou de um triunfo material com o imperador Constantino, para se fixar na Terra e conseguir trazer o Evangelho até nós.


Esta experiência evangélica que aqui narramos na sua substância, e o fato de ela haver sido bem sucedida, é o que mais era necessário neste ponto do desenvolvimento da missão, para afastar as acusações de utopia da parte dos práticos que sustentam que o Evangelho é um absurdo irrealizável. Aqui temos fatos que provam o contrário. A lógica, a razão, os acontecimentos, em concordância, deram confirmação da verdade que com a inspiração havia sido recebida. Tudo convergido para demonstrar que a lei do merecimento vence porque esta acima da lei da força e astúcia, que vigora no mundo. Então o Evangelho não é só teoria, método de vida reservado apenas para os santos, não é na pratica um absurdo irrealizável como se acredita, mas é a lei da maior utilidade individual e coletiva, para ser vivida também na realidade do nosso mundo.


Assim o presente livro representa a fase da realização prática, da missão que de pensamento se torna ação. Chegou assim a contrapartida que faltava: a realização prática das teorias. Respondendo as necessidades da pesquisa, tudo isto tomou valor de experiência e significado de um controle positivo. E não há nada melhor que a concordância com os fatos, para demonstrar que uma teoria é verdadeira.


Um dos aspectos novos desta II Obra é o fato de as teorias haverem sido levadas mais em contato com a realidade da vida, com as leis do nível atual da existência humana. Há muito tempo que andava observando como funciona este estranho animal quo é o homem. A conduta dele me parecia tão contraproducente para a sua própria vantagem, que eu não podia acreditar se tratasse de um ser sensato. Para chegar a compreender tal absurdo e a logicidade da sua presença, tive que desarmar os castelos e desfazer os emaranhados das filosofias, das revelações religiosas, das teorias econômico-sociais e políticas, dos sistemas éticos e jurídicos, das ilusões psicológicas e dos instintos, fruto do subconsciente, esclarecendo os problemas até as suas primeiras origens teológicas da criação de Deus. Então tudo se tornou claro. Mas é só nesta pesquisa teórica que se podiam encontrar os pilares que sustentam a interpretação e nos dão explicação dos fatos, que depois, em nossa experimentação, encontramos na realidade da vida.


Explica-se assim a pratica do fingimento, o uso do me todo anti-utilitário da força e da astúcia, o absurdo da procura da felicidade semeando sofrimento. Explica-se porque o homem, pela sua involução, prefira seguir a lei da animalidade com todas as suas duras conseqüências.  Ele é como um menino ignorante e teimoso, que esta sofrendo por não conhecer quais são os caminhos para atingir a felicidade, que tanto almeja. E ela esta ao alcance das suas mãos e ele poderia agarra-la bastando que soubesse movimentar-se com inteligência, de modo certo. E para preparar tempos melhores, de menor sofrimento para todos, que estamos aqui gritando aos surdos e deixando tocar os fatos aos cegos, num desesperado esforço de clareza para ser entendido, para que seja compreendida a vantagem do sistema evangélico, afastando assim a causa da dor. Mas às vezes esta paixão e compaixão é julgada orgulho, pregação cansativa, absurdo utopista. Contra esta realidade só uma pode ser a reação do mais adiantado: a de ajudar os outros a subir. Substituir ao método da força e da astúcia, o da sinceridade; compreensão e amor; ao invés de se agredir e lutar, unificar onde tudo está dividido, para colaborar fraternalmente. Este é o caminho que vai para Deus.


Assim o nosso trabalho esta se completando nas suas três fases: 1) O trabalho inspirativo de registrar por escrito os conceitos fundamentais da orientação no plano geral, chegando a solução teórica dos problemas. 2) O trabalho do controle racional desenvolvido nos livros, para provar a verdade das teorias afirmadas. 3) Nesta fase tivemos de colocar tudo no banco do laboratório da vida para cumprir o teste prático ou controle experimental daquelas teorias, para ver se correspondem a realidade dos fatos. Descida do céu a Terra, do absoluto ao relativo, do universal ao particular, do abstrato ao concreto. Só assim o nosso trabalho podia ser completo, em todos os níveis do conhecimento. Só através de tais provas podíamos possuir a certeza da verdade das teorias sustentadas. Só se o fruto da inspiração se tornasse depois uma experiência  vivida.


Concluímos com as palavras da Introdução ao volume: Profecias, intitulada: “Gênese da II Obra”: "Assim nasceu esta nova Obra, que desenvolve tema novo com estilo novo, duro, terreno, positivo, para os práticos, um estilo de batalha adaptada ao mundo no qual a missão deve cumprir-se... para construir na Terra, com as pedras das provas evidentes, o novo edifício do Evangelho vivido e da nova civilização do terceiro milênio.

S.  Vicente, Páscoa de 1958.




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