Desenvolvamos agora o íntimo significado do diagrama, principiando por seu primeiro aspecto. Podemos explicar aqui o que entendemos por gradações de evolução, quais são assinaladas ao longo do eixo vertical das ordenadas. Já estabelecemos alhures 12  a constituição trifásica do universo abrangido pelo cognoscível humano, isto é, constituído de três planos de existência: Matéria ( γ), Energia ( β), e espírito ( α) (fig. 2), situados nas relativas dimensões de espaço, tempo e consciência. E demonstramos que essa trindade una, tridimensória e trifásica, que é a forma típica dos infinitos universos fenomênicos, que se transformam uns nos outros, é também o eixo interno de evolução do nosso. No seio do fenômeno da evolução, o ser esta pois continuamente em marcha, da fase matéria para a fase energia e desta para a fase espírito. Ao que já expliquei, dispenso-me de retornar.


Somente aquela demonstração se detém no vértice da fase espírito e da dimensão consciência, precisamente porque, ultrapassando este ponto, saímos de nosso universo e da fase humana, qual é corretamente concebida. Mas, não podemos deter-nos aí. Precisamente onde acaba aquela demonstração começa este estudo. Através dos estados místicos que tenho percorrido e vivido, sinto haver podido emergir do nível humano. normalmente concebível, avançando maravilhosamente como nova forma de consciência, nas primeiras zonas da primeira fase x do universo trifásico evolutivamente superior (+x, +y, +z) (fig. 2). Neste estudo, que poderia definir-se também como uma incursão no inconcebível desço de novo da dimensão superconceptual do êxtase e da visão, à dimensão racional corrente, para expor analiticamente a lei e o conteúdo do fenômeno. Espero com isso fazer-me compreendido. Completaremos assim a análise do fenômeno místico, o qual permanece desse modo perfeitamente enquadrado e orientado na fenomenologia universal, como uma forma de superconsciência evolutivamente situada nas primeiras zonas do superconcebível. Só agora poderíamos dar mais exatamente esta definição, que não era possível em princípio (cap. III).


Deixemos, por assim dizer, no subsolo da evolução as fases  γ,  β,  α, já atravessadas e superadas, e iniciemos o diagrama (fig. 1) 13 por uma linha horizontal que tomaremos graficamente como ponto de partida de nosso exame de detalhe da primeira zona do superconcebível. Aqui a evolução orgânica da espécie é superada e só o homem sobrevive como psiquismo. A unidade individual emergente e a um tempo remanescente de todo o anterior processo evolutivo é a consciência. Deste ponto para cima não podemos operar senão sobre unidades imateriais. A presença inegável do fenômeno psíquico e sua derivação das zonas orgânicas mostram à evidencia que a evolução tende para a desmaterialização, razão pela qual não poderemos avançar senão no imponderável.


Adiante, insularemos, no segundo aspecto do diagrama, o estudo do desenvolvimento de uma simples consciência. Observemos agora, ao contrário, no prosseguimento da evolução físico-dínamo-psíquica, estas primeiras zonas da dimensão superconsciência. Nestas zonas irromperá, assim, distinto e insulado em seu próprio plano, o fenômeno, no seio da evolução e de suas fases. Tomada como ponto de partida a fase neutra de transição +x 1  que cobre a horizontal de base, ingressemos na primeira zona ou plano de consciência, +x 2  Teremos assim uma sucessão de planos, +x 2 , +x 3 , +x 4 , +x 4 etc., ao longo dos quais ascende a consciência. Mais exatamente teremos a seguinte progressão:


+x 2  = plano de consciência sensória.
+x 3  = plano de consciência racional-analítica.
+x 4  = plano de consciência intuitivo-sintética.
+x 5  = plano de consciência místico-unitária.
+x 6  = plano inexplorado etc...


O plano de consciência sensória assinala o plano físico da consciência que começa a despontar, como síntese puramente sensória. Fase de consciência mecânica, que ignora qualquer interpretação positiva do universo Psique de superfície, que ignora toda tentativa de indagação, organismo de reações mecânicas. (Veia cap. IV). É o primeiro nível humano do bruto, apenas emerso da besta, ainda animal e vegetativo.


O plano de consciência racional-analítica representa uma primeira tentativa de ascensão, de desmaterialização, de formação e de desprendimento de um psiquismo espiritual; como psiquismo, puro meio de funcionamento orgânico. É a fase da ciência, da observação, do relativo, da hipótese, da razão e da análise, mas não ainda da síntese. Começa-se a encarar seriamente o mundo exterior, mas sempre com meios de superfície. Na consciência, que permanece sensória como método de indagação, acende-se uma chama interior que anseia e pergunta, mas que ainda não sabe. É o período da pesquisa e, todavia, da ignorância ainda. O plano da consciência intuitivo-sintética é uma zona evolutiva já supranormal e excepcional para a média humana atual que repousa na fase +x 3 . Aqui, a gênese de um psiquismo espiritual independente é completa e a desmaterialização realizada lhe permite, em dados estados e momentos, perceber por ressonância as emanações de zonas de consciência ou planos psíquicos evolutivamente mais altos. E a fase metafânica, consciente e inspirativa, não mais da ignorância, mas do conhecimento, não mais da análise, mas da síntese. Chega-se a esse plano com o método da intuição. Contemplam-se os fenômenos por vias interiores, pesquisa-se e atinge-se a verdade por introspecção, no íntimo, onde realmente esta. Aí, o ser já não toca apenas o relativo, nem esta imerso na ilusão, mas toca o absoluto, possui a verdade. Não opera com o instrumento da lógica, da indução, da hipótese, mas por sintonização vibratória com zonas de consciência onde registada já está a verdade. Já não é sensória a consciência. Arde a chama interior, que não só pergunta, mas sabe. Atravessei, por experiência, essa zona 14  e dela extrai A Grande Síntese, “que é averiguação da realidade ultra-sensória da verdade fenomênica, por sintonização e visão interior”.

O plano de consciência místico-unitária é aquele em que atualmente vivo minha nova experiência, do que, aliás, já eu tivera pressentimento. Tenho definido esses planos em relação com o conhecimento, porque este lhe é o índice prevalecente, como é o mais evidente e significativo Se, até agora, temos tratado de fria ascensão intelectual, que não tem outra meta e saciedade além da compreensão, vamos ver que neste novo plano de consciência mística a ascensão é integral. A sintonização com as superiores zonas de evolução não é só conceptual, mas, ao contrário, investe todas as qualidades da personalidade. Coração, sentimentos e paixões despertam e o ser já não ascende só por intelecto, mas por amor. Então a comunicação se converte em comunhão, a simples ressonância se torna fusão e unificação por identificação de estrutura vibratória, que naquele plano de existência é a forma distintiva do ser. Como no plano precedente se havia despertado, pela visão conceptual, uma ressonância na consciência, que nesta ressonância se tinha dilatado (como esta graficamente expresso no diagrama), assim, neste plano, desperta-se o êxtase místico em que canta uma voz nova, na qual vibra o amor, que é uma dilatação de consciência, tão vasta, que, como descreverei, sente-se humanamente perdido o ser, mas divinamente ressurrecto. Não são hipóteses ou fantásticas lucubrações estas; são estupefacientes realidades nas quais esteve presa minha alma, como em um turbilhão, e que, todavia, aqui demonstro predominar analiticamente, na forma mental hoje normal. E completo o trabalho de tal redução racional, para que esses altos fenômenos sejam admitidos e compreendidos, porque sei que pouquíssimos poderiam assim explicá-los por experiência e porque sei que neles estão o futuro e o progresso do espírito humano.


O plano +x 5 exprime e compreende, em seu âmbito, o fenômeno da ascese mística. Ignoro quanto se passa no plano +x 6 , o qual exorbita de minha atual experiência; se não sobrevierem novos fenômenos evolutivos, ele se perderá, para mim também, no inconcebível. Talvez esteja isto acima das possibilidades humanas. E naturalmente infinita é a escola de ascensão no subseqüente e, em seguida, nos sucessivos universos trifásicos.
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12 - Cfr. A Grande Síntese, cap. VII, VIII e IX. (N. do T.)
13 - O diagrama fig. 1 não passa de um estudo de detalhe da zona +x do diagrama fig. 2. (N. do A.)
14 - Descrita no citado volume: As Noúres. (N.  do A.)

 




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